No dia 27 de julho de 2025, o exército israelense interceptou o Handala, um navio da Flotilha da Liberdade que se dirigia a Gaza carregado de ajuda humanitária e movido pelo objetivo de dar visibilidade ao genocídio que está sendo cometido na Palestina. Antes disso, no dia 9 de junho, o exército do Estado sionista atacou o Madleen, barco que se dirigia a Gaza com os mesmos objetivos. Vários grupos de ativistas tentarão, no próximo domingo, 31 de agosto, romper o cerco e chegar às águas palestinas, embora desta vez o façam em grande estilo: dezenas de barcos civis partirão do porto de Barcelona, que serão acompanhados, mais tarde, por embarcações de outros países, como a Tunísia, e se reunirão em alto mar no dia 4 de setembro. “Participarão delegações de mais de 44 países, entre eles Malásia, Estados Unidos, Brasil, Itália, Marrocos, Sri Lanka, Tunísia, Países Baixos e Colômbia, entre outros”, informa a Global Sumud Flotilla, a plataforma que impulsiona a iniciativa.
Quanto aos participantes, já confirmaram sua presença a ativista Greta Thunberg, que já fez parte da tripulação do Handala e acabou deportada de Israel, e Thiago Ávila, ativista que foi preso a bordo do Madleen. Também haverá outros ativistas que já participaram da Marcha Global para Gaza, uma iniciativa que pretendia entrar em Gaza por via terrestre, mas que viu sua tentativa frustrada no Egito devido à ação das forças de segurança do Estado egípcio, que bloqueou seu caminho e deteve vários membros.
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É o caso de Saïf Abukeshek, ativista hispano-palestino membro da coordenação da Marcha Global por Gaza e também da Global Sumud Flotilla, que conversou com o jornal El Salto dias antes de embarcar para Gaza. Ele explica que a flotilha global começou a ser formada há dois meses, como um “espaço coletivo” de “solidariedade com Gaza”, entre o Global Movement for Gaza, a Sumud Flotilla do Magrebe, a Sumud Susantara (Ásia) e a coalizão internacional da Flotilha da Liberdade, que há mais de 15 anos organiza missões marítimas, desde que em 2010 um comboio de seis barcos e 700 ativistas partiu rumo à Palestina. Esta primeira flotilha foi atacada por Israel, e nove ativistas e um jornalista morreram na ocasião.
Aumentar a pressão
“Queremos dar um passo maior, é preciso escalar, é preciso aumentar a pressão”, afirma Abukeshek, enquanto Israel já assassinou mais de 62.800 palestinos e palestinas, e já há 315 vítimas mortais por desnutrição, devido ao bloqueio que o governo de Netanyahu mantém à ajuda humanitária, que entra em Gaza a conta-gotas. Ao mesmo tempo, a maioria dos governos ocidentais não rompeu suas relações com o Estado sionista.
Quanto à escolha do porto de Barcelona como primeiro ponto de partida, o ativista hispano-palestino relata que “na Espanha, durante os últimos 22 meses, o trabalho contra o genocídio tem sido muito importante. É uma referência na Europa de solidariedade com Gaza”. Ao mesmo tempo, existe uma “contradição”: o fato de que continuam partindo navios com armas para Israel de vários pontos da Espanha, Barcelona sendo um destes. “Queremos que os nossos portos participem ativamente na defesa dos direitos humanos”, conclui.
Abukeshek admite que não tem muitas esperanças na ação institucional da comunidade internacional, como experimentou depois de ser detido no Egito. Denuncia que sofreu torturas após ser preso na sua tentativa de integrar a marcha a pé em solidariedade aos palestinos e que não houve consequências. “Não vimos nenhuma ação. Como sempre, as relações diplomáticas foram mais favorecidas do que os direitos humanos. Embora a embaixada da Espanha soubesse onde eu estava, ninguém se interessou por mim”, reclama ele.
Protestos em Tel Aviv
Enquanto isso, cresce a oposição à atuação do governo de Netanyahu, também dentro de Israel. Assim, depois que o Executivo israelense se recusou a acatar o cessar-fogo proposto pelo Catar e pelo Egito e apoiado pelo Hamas, e à medida que continua multiplicando os ataques, como o da última segunda-feira (25), que tirou a vida de cerca de vinte palestinos e palestinas, entre eles cinco jornalistas, no Hospital de Khan Yunis, centenas de pessoas se concentraram nesta terça-feira (26) nas ruas de Tel Aviv para exigir que o governo acabe com a violência.
Conforme noticiado pela Europa Press, e com base nas estimativas do Fórum de Familiares de Reféns e Desaparecidos, mais de 350 mil pessoas participaram das manifestações contra a política do primeiro-ministro israelense. Elas pedem que ele aceite o cessar-fogo, o que implicaria a troca dos prisioneiros nas mãos do Hamas.
No entanto, esses protestos parecem não ter surtido efeito. Enquanto este artigo era finalizado, Israel continuava massacrando áreas civis, e suas tropas mataram a tiros o atleta palestino Alam Abdullah al-Amur enquanto ele buscava comida. Uma prática comum em Gaza, onde não há mais nenhum lugar seguro e nenhuma ação vital é realizada sem um risco associado. Situação que a flotilha global busca colocar nas primeiras páginas de jornais de todo o mundo.





































