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Estados Unidos e Israel atacam o Irã

Ataque conjunto contra o Irã amplia tensões no Oriente Médio e ameaça desencadear um conflito de grandes proporções

El Salto
Mísseis iranianos Shahab-1 são disparados durante exercícios militares em 2012. (Foto: Hossein Velayati / ypa.ir / Wikimedia Commons)
Mísseis iranianos Shahab-1 são disparados durante exercícios militares em 2012. (Foto: Hossein Velayati / ypa.ir / Wikimedia Commons)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que ordenou “importantes operações de combate” no Irã. De acordo com informações da CNN, da Al Jazeera e da agência de notícias Fars, em uma ação conjunta entre as forças dos EUA e de Israel, vários mísseis atingiram as proximidades do Ministério da Inteligência, na rua University e na zona de Jomhouri, em Teerã. A fumaça e as explosões cobriram a cidade.

Segundo o Daily Iran News, os mísseis também atingiram o Ministério da Defesa, a Agência de Energia Atômica, os escritórios do líder supremo e o complexo militar de Parchin. Este meio de comunicação também alertou para um ciberataque em grande escala contra o Irã. O objetivo de eliminar os principais líderes do país não foi alcançado até o momento, de acordo com as informações disponíveis.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim confirmou explosões na zona norte de Seyyed Khandan, em Teerã. Outros meios iranianos citaram ataques em todo o país, incluindo a província ocidental de Ilam.

O presidente dos EUA declarou que o objetivo dos ataques conjuntos é “eliminar a ameaça iminente do regime iraniano”, em referência à continuidade de um suposto programa iraniano para construir armas nucleares, algo não confirmado pela inteligência americana, segundo a CNN. Trump classificou a operação como “massiva e contínua” e convocou a população a derrubar o governo quando ela terminar. Nos últimos dias, Trump havia afirmado que Teerã estava desenvolvendo mísseis com capacidade de atingir território europeu e norte-americano, uma suposição que não foi respaldada por provas.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, anunciou às 7h (hora espanhola) o início desta operação conjunta, apenas oito meses após a última grande ofensiva contra o Irã. Israel declarou estado de emergência e fechou seu espaço aéreo. As razões apresentadas por Katz são semelhantes às de Trump. O objetivo é, segundo ele, “eliminar as ameaças ao Estado de Israel”.

Em uma das zonas atacadas estão os escritórios do líder supremo do país, o aiatolá Ali Jamenei, segundo informou a Associated Press, embora ele não estivesse na capital e tenha se refugiado em um local seguro, de acordo com um funcionário citado pela Reuters. O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, também está vivo, segundo a agência estatal iraniana IRNA.

O ataque ocorre após semanas de negociações fracassadas entre os EUA e o Irã, enquanto a frota americana se aproximava da costa do país. Na sexta-feira, o USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões do mundo, chegou à costa norte de Israel para se juntar ao destacamento naval americano na região. Na tarde de 27 de fevereiro, o Departamento de Estado autorizou a saída de pessoal diplomático “devido a riscos de segurança”. Medidas semelhantes foram adotadas pelos governos do Reino Unido, Canadá e China.

Esta nova ofensiva ocorre apenas um dia após a última rodada de negociações.

A mídia iraniana destaca que é a segunda vez que o país é atacado em meio a um processo de negociação. O precedente mais próximo foi o ataque israelense iniciado em 13 de junho de 2025, que culminou, no dia 23 do mesmo mês, com uma grande ofensiva americana contra as instalações nucleares iranianas.

Segundo declarações do presidente Trump, confirmadas por diversos meios de comunicação dos EUA, Washington planeja vários dias de ataques.

Israel, por sua vez, já tem um nome para a operação: “Leão Rugiente”, uma continuação da ofensiva de 12 dias de junho, que recebeu o nome de “Leão Ascendente”.

O governo iraniano afirmou que a “primeira onda de ataques generalizados com mísseis e drones” contra Israel já começou. Os alarmes soaram em centenas de localidades em Israel.

A possibilidade de um conflito regional volta a ameaçar uma das regiões-chave para o fluxo de petróleo no mundo. Os rebeldes houthis no Iêmen, aliados de Teerã, anunciaram que retomarão os ataques contra navios israelenses e americanos no estreito de Ormuz, no Mar Vermelho.

Os Estados Unidos emitiram um alerta para que todos os seus cidadãos em Israel, Catar e Emirados Árabes Unidos procurem refúgio.

El Salto El Salto é um meio de comunicação social autogerido, horizontal e associativo espanhol.

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