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Colômbia rumo ao “segundo turno 2.0”

Na Colômbia, voto útil da direita esvaziou o centro e transformou o primeiro turno em uma prévia da disputa final

Alfredo Serrano Mancilla
O candidato de esquerda nas eleições da Colômbia, Ivan Cepeda, do Pacto Histórico. (Foto: Ivan Cepeda Castro / Wikimedia Commons)
Fonte: Google

O espírito do segundo turno “se infiltrou” no primeiro turno na Colômbia.

A polarização política se transferiu para o terreno eleitoral e, como já vem sendo habitual na América Latina, os candidatos que defendem a equidistância e a moderação têm pouco espaço entre a população. Na Colômbia, a estreita avenida do centro se traduz na escassa votação de Sergio Fajardo, Claudia López, Roy Barreras…

O eleitorado tinha clareza de que havia duas visões de país completamente opostas.

De um lado, Iván Cepeda, que conquistou os votos progressistas previstos. Ele ficou com 40,9% dos votos válidos, uma porcentagem muito semelhante à que Gustavo Petro obteve no primeiro turno das eleições de 2022. Trata-se de um eleitor fiel e ideologizado.

Por outro lado, dois candidatos que disputavam a maioria do eleitorado conservador e da oposição: Abelardo de la Espriella, uma espécie de Rodolfo Hernández aggiornado (mais jovem, mais Bukele, mais violento), e Paloma Valencia, uma uribista mais tradicional.

Os dois representam quase a mesma coisa. Eles se diferenciam mais na forma do que no conteúdo.

E, no final, a “surpresa” chegou na forma de um cenário possível. Ou seja: havia uma possibilidade real de que ocorresse um fenômeno de “voto útil” para impedir a vitória de Iván Cepeda.

Por exemplo, em nossa última pesquisa do CELAG DATA, havia uma forte sobreposição eleitoral entre os eleitores de Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia.

72% dos eleitores de Paloma Valencia estavam dispostos a votar em Abelardo de la Espriella para impedir a vitória de Iván Cepeda.

E foi isso que aconteceu. A maioria dos eleitores uribistas optou por “abandonar” antecipadamente Paloma Valencia para impedir a vitória de Iván Cepeda, e foi votar no candidato mais bem posicionado, aquele com maiores probabilidades.

É assim que Abelardo de la Espriella alcança valores tão altos (43,7%). Ele conta com um eleitorado exclusivo (mais volátil, que vai e vem, que busca algo novo) além de todo o eleitorado conservador tradicional colombiano.

Dessa forma, a eleição do primeiro turno se polarizou antes do tempo.

E então, no dia 21 de junho, teremos o segundo turno 2.0.

Trata-se de uma nova versão do segundo turno, na qual será preciso considerar algumas variáveis-chave, aprendendo com o que aconteceu na eleição passada:

1 – Em 2022, a chave esteve no novo eleitor; aquele que não votou no primeiro turno, mas votou no segundo (1,5 milhão). Esse voto foi decisivo para a vitória de Gustavo Petro (foi muito mais importante do que o eleitor de Sergio Fajardo).

2 – Em 2022, a soma dos votos de Fico Gutiérrez e Rodolfo Hernández era superior aos votos de Gustavo Petro em 2,5 milhões; e agora, em 2026, a soma dos votos de Abelardo De la Espriella e Paloma Valencia supera em 2,28 milhões os votos de Iván Cepeda. Ou seja, não devemos necessariamente fazer uma soma aritmética dos votos do primeiro turno para saber o que acontecerá no segundo turno.

3 – O cenário político de 2022 não era o mesmo que o atual, e certamente será preciso avaliar múltiplas facetas para ver o que prevalecerá na hora de votar.

Veremos o que acontecerá nas próximas semanas…

CELAG Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica

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