UOL - O melhor conteúdo
Pesquisar
,

Israel desobedece a CIJ e provoca novo massacre em campo de refugiados de Gaza

O volume dos ataques discursivos da diplomacia de Israel aumenta à medida que se aproxima o reconhecimento do Estado palestino pela Espanha, Irlanda e Noruega
Redação
Fotos divulgadas por soldados israelenses de casas queimadas na ofensiva em Gaza. (Foto: Reprodução / Twitter)
Imagens de um enorme incêndio causado por bombas israelenses no campo de refugiados de Tal al Sultan, no noroeste de Rafah, rapidamente deram a volta ao mundo. Pelo menos 50 palestinos foram massacrados na noite de 26 de maio nesse campo improvisado, onde milhares de pessoas deslocadas pelas bombas estavam abrigadas. O local havia sido designado como “zona humanitária” pelas próprias forças israelenses, conforme lembrou o Crescente Vermelho.

O ataque foi realizado com “munições precisas” com base em “inteligência precisa” contra o que Tel Aviv descreve como um ” centro do Hamas em Rafah”. Especificamente, o bombardeio tinha a intenção de matar dois líderes de alto escalão do Hamas, Yassin Rabia e Khaled Nagar. Uma declaração das forças israelenses reconheceu que o fogo iniciado pelas bombas feriu vários civis e que “o incidente está sendo analisado”. Fontes de saúde do governo de Gaza estimam em 50 o número de pessoas mortas no bombardeio do campo de refugiados, incluindo muitas crianças.

O ataque ocorreu poucas horas depois do Hamas lançar oito foguetes contra Tel Aviv e outras partes do centro de Israel, sem causar danos graves à infraestrutura ou ferimentos à população.

O porta-voz da Autoridade Nacional Palestina, Nabil Abu Rudeina, classificou o ataque como um “massacre que ultrapassou todos os limites”. A organização Médicos Sem Fronteiras Internacional disse estar “horrorizada com esse massacre, que mostra mais uma vez que ninguém está seguro”.

Esse novo ataque ocorre apenas três dias após a Corte Internacional de Justiça ( CIJ) ordenar que Israel interrompa a ofensiva em Rafah “e qualquer outra ação na província de Rafah que possa infligir ao grupo palestino em Gaza condições de vida que possam levar à sua destruição física total ou parcial”.

Após a ordem de Haia, que Tel Aviv não reconheceu, o exército israelense continuou sua ofensiva em Rafah, na cidade de Deir al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, e especialmente no campo de refugiados de Jabalia, no norte da Faixa. A CIJ também ordenou que Israel reabrisse a passagem de Rafah, que está fechada desde que o país invadiu a região.

Continua após o anúncio

Como o número de palestinos mortos ultrapassa a marca de 36 mil – sem contar os desaparecidos e enterrados nos escombros, que podem ultrapassar outros 10 mil – a discórdia entre Tel Aviv e alguns de seus aliados tradicionais aumentou. Depois que a ministra da Defesa da Espanha, Margarita Robles, chamou a ofensiva israelense em Gaza de “verdadeiro genocídio”, a diplomacia israelense a acusou de falar em nome do Hamas, o mesmo argumento usado para atacar a CIJ.

O volume de ataques discursivos da diplomacia israelense aumenta à medida que se aproxima o reconhecimento anunciado do Estado palestino pela Espanha, Irlanda e Noruega, marcado para 28 de maio. “Estamos em 2024, os dias da Inquisição acabaram. Hoje nós, judeus, temos um Estado soberano e independente e ninguém nos forçará a converter nossa religião ou ameaçará nossa existência. Quem nos ferir, nós o feriremos”, declarou o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, em 27 de maio.

Entre as primeiras medidas punitivas pelo reconhecimento do Estado palestino, no dia 1º de junho o Consulado da Espanha em Jerusalém será proibido de prestar serviços aos palestinos “residentes sob a Autoridade Palestina”. Para Irene Montero, candidata do Podemos para as eleições europeias, é “incompreensível que o governo espanhol não rompa as relações diplomáticas e não concorde com um embargo total de armas”. Apesar dos discursos e palavras de crítica, inclusive reconhecendo que Israel está cometendo um “verdadeiro genocídio”, o Partido Socialista Espanhol tem se recusado em sucessivas votações no Congresso a parar de comprar armas e sistemas de defesa “testados em combate” de Israel e a realizar um embargo real, interrompendo a venda de armas mesmo que os contratos tenham sido assinados antes de 7 de outubro de 2023.

El Salto El Salto é um meio de comunicação social autogerido, horizontal e associativo espanhol.

Continue lendo

Manifestantes cantam "Fora Hamas" durante protesto em Beit Lahia, no norte de Gaza. (Imagem: Reprodução / Youtube)
As manifestações contra o Hamas em Gaza e o anseio por certeza
Soldados do Grupo de Batalha de Presença Avançada Reforçada (EFP), do Exército da Alemanha, participam de desfile militar em Vilnius, Lituânia, em 25 de novembro de 2023, marcando o 105º aniversário do Exército Lituano. (Foto: Bundeswehr/Marco Dorow)
A Alemanha e a UE abraçam o keynesianismo militar
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, em 25 de janeiro de 2018. (Foto: Valeriano Di Domenico / World Economic Forum)
Bombardear com toda força: Israel define o tom para o genocídio dos palestinos

Leia também

sao paulo
Eleições em São Paulo: o xadrez e o carteado
rsz_pablo-marcal
Pablo Marçal: não se deve subestimar o candidato coach
1-CAPA
Dando de comer: como a China venceu a miséria e eleva o padrão de vida dos pobres
rsz_escrita
No papel: o futuro da escrita à mão na educação
bolivia
Bolívia e o golpismo como espetáculo
rsz_1jodi_dean
Jodi Dean: “a Palestina é o cerne da luta contra o imperialismo em todo o mundo”
forcas armadas
As Forças Armadas contra o Brasil negro [parte 1]
PT
O esforço de Lula é inútil: o sonho das classes dominantes é destruir o PT
ratzel_geopolitica
Ratzel e o embrião da geopolítica: os anos iniciais
almir guineto
78 anos de Almir Guineto, rei e herói do pagode popular