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ELN pede que governo colombiano retome diálogos com o grupo

“Nós pegamos em armas buscando justamente alcançar a paz plena na Colômbia porque não nos deixaram outra opção”, reforçou o comandante Gabino.

Negociações entre a segunda maior guerrilha e o governo colombiano estão paradas e sem previsão de retorno.
(Foto: Reprodução/Youtube)

O comandante máximo do Exército de Libertação Nacional (ELN), Nicolás Rodriguez Bautista, conhecido também como Gabino, falou especialmente para a imprensa nesta semana sobre a mesa de diálogo aberta em Caracas, em março deste ano, e os acordos assinados entre as FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colombia – Exército do Povo) na última semana. Gabino disse em vídeo que irá respeitar as zonas de concentração das FARC-EP e pediu que o governo colombiano não feche as portas das negociações com o ELN.

Gabino explicou no vídeo divulgado pela RED Noticias que a fase secreta de negociações entre o governo e o ELN durou aproximadamente quatro anos, e que, após o anúncio e abertura da fase pública das negociações, o governo fez imposições para continuar a mesa de diálogos. O presidente colombiano Juan Manuel Santos afirmou que não voltará às negociações até que o grupo libere todos os reféns.

“Nós não aceitamos imposições”, disse Gabino. O líder ressaltou ainda que o grupo desde seu início fez “detenções de pessoas por razões políticas e econômicas”. “Nós pegamos em armas buscando justamente alcançar a paz plena na Colômbia porque não nos deixaram outra opção”, reforçou o comandante.

No vídeo divulgado nesta semana, Gabino lembrou que a participação da população colombiana no processo de diálogos é um dos pontos centrais da agenda divulgada em março. “Não concebemos um processo de paz no qual esteja ausente a sociedade colombiana”, disse.

Segundo Gabino, o ELN está disposto a continuar com os diálogos desde que se anunciou a fase pública de conversas em março. “O ELN seguirá buscando a paz ainda que o presidente Juan Manuel Santos se negue a seguir a fase pública dos diálogos”, destacou, criticando também a postura do governo colombiano de impôr condições para se sentarem à mesa para continuar com as negociações.

“Se fosse permitido que cada parte fizesse imposições, nós poderíamos dizer que não nos sentamos à mesa porque vão impôr ao país uma Reforma Tributária. Ou ainda, que não estamos de acordo com que a classe que está no poder hipoteque o país ao capital estrangeiro. Ou também, que não estamos de acordo com que as companhias multinacionais levem embora as riquezas que pertencem aos colombianos. E se começamos assim, as reclamações seriam infinitas e todo diálogo pararia no início”, afirmou.

O comandante disse que a agenda de discussões já foi definida previamente entre as partes e que os dois lados devem cumprir o que foi definido.

Acordo com as FARC-EP

Sobre o recém assinado acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC-EP, o comandante disse que não estão de acordo com os pontos e a forma como se deu as negociações, mas que respeitam o caminho trilhado pela outra guerrilha. “Cada organização é soberana para tomar as próprias decisões que considerem importantes, e falamos aos companheiros, que respeitamos [o processo de diálogo], seguimos por caminhos diferentes, mas continuamos nos encontrando no caminho da luta”, destacou.

Um dos pontos delicados dos processos de negociações é o que determina que os integrantes das FARC-EP deverão se concentrar em algumas zonas do país onde deverão entregar as armas nos próximos meses. O ELN também está presente nestas regiões. Em julho deste ano, Juan Manuel Santos determinou que as ofensivas contra o ELN fossem intensificadas.   

“Tanto as FARC-EP quanto o governo podem ficar tranquilos com relação às zonas de concentração. Mas queremos deixar claro que o processo de paz não é com o ELN, nem o cessar-fogo bilateral. Essa é uma realidade muito complicada porque nós não determinamos tudo que acontece nestas regiões”, lembrou.

Sobre o plebiscito, o comandante disse que desde os anos 90 o ELN adotou uma diretriz de não impedir que as pessoas votem. Ele destacou que eles, como guerrilheiros, não podem e não vão votar, mas que não vão atrapalhar o processo eleitoral.

Gabino aproveitou para criticar a recente aproximação entre o governo colombiano a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e o envio de tropas colombianas em missões de paz.

Veja o vídeo na íntegra abaixo:

Cronologia e histórico

Na ocasião da abertura da mesa de diálogos em Caracas, os dois grupos informaram que o próximo encontro se daria em Quito (Equador), dentro de aproximadamente um mês. A iniciativa gerou muita expectativa de alcançar a “paz completa”, já que a mesa diálogos das FARC-EP caminhava, apesar dos atrasos. Mas no mesmo dia, o presidente disse que não negociaria com o grupo enquanto eles mantivessem pessoas sequestradas.

Pablo Beltrán e Antonio Garcia, comandantes do ELN presentes na mesa, foram interrogados por diversos jornalistas sobre o tema, e a resposta foi a sempre a mesma; de que esse era um dos pontos da agenda, e que seria abordado em um momento oportuno, mas que antes eles deveriam tratar de seguir a agenda acordada entre as duas partes.

Esse vem sendo o ponto de maior entrave entre o grupo e o governo colombiano. A negativa por parte do governo somada à resistência por parte do ELN fez com a guerra seguisse, assim como ataques por parte do ELN e das Forças Armadas colombianas, e a crescente lista de mortos e vítimas de ambos lados.    

O ELN nasceu nos anos 60 e foi constituído por três grupos diferentes, estudantes inspirados pela Revolução Cubana, padres da Teologia da Libertação da Igreja Católica e organizações sociais. Diferentemente das FARC-EP, que é um grupo militar com objetivos políticos, o ELN sempre foi um grupo político que atua como guerrilha.

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