Pesquisar
,

MP investiga se polícia forjou prisões em protestos contra Temer

O órgão apura se houve agressão e se os flagrantes para justificar as prisões de manifestantes contra Temer no dia 4 de setembro foram forjados.
por Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil
(Foto: Pedro Marin / Revista Opera)

O Ministério Público de São Paulo investiga se policiais militares cometeram abusos ao prender um grupo de manifestantes na tarde do dia 4 de setembro. O órgão apura se houve agressão e se os flagrantes para justificar as prisões foram forjados.

Os 16 adultos e dez adolescentes pretendiam participar de um protesto contra o presidente Michel Temer quando foram detidos no Centro Cultural São Paulo, na zona sul da capital paulista. Eles foram indiciados por associação criminosa e corrupção de menores.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que, no momento da prisão, os detidos estavam com “uma barra de ferro, câmeras, celulares, toucas, lenços e máscaras”. “Cinco dos jovens carregavam pedras e estilingues em mochilas. Um celular roubado também foi encontrado com um dos adolescentes”, diz o comunicado da secretaria.

Depois de passarem um dia presos, os manifestantes foram liberados por decisão do juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, após audiência de custódia.

“O Brasil como Estado Democrático de Direito não pode legitimar a atuação policial de praticar verdadeira ‘prisão para averiguação’ sob o pretexto de que estudantes reunidos poderiam, eventualmente, praticar atos de violência e vandalismo em manifestação ideológica. Esse tempo, felizmente, já passou. A prova do auto de prisão em flagrante é de que todos os detidos estavam pacificamente reunidos para participar de uma manifestação pública, nenhum objeto de porte proibido foi apreendido, sendo assim inviável sequer cogitar o crime de corrupção de menores”, disse o magistrado na sentença.

Na ocasião, logo após serem soltos, os manifestantes afirmaram que os policiais apresentaram armas brancas que não estavam em poder deles, forjando provas. Um rapaz disse ainda ter sido agredido por um policial.

O Ministério Público informou que ainda estão sendo realizadas diligências para apurar se as denúncias têm procedência. A promotoria destacou, entretanto, que não faz parte das suas competências investigar a informação relatada por alguns veículos de comunicação de que um capitão do Exército participou como infiltrado da operação.

Continue lendo

mst
Frei Betto: 40 anos de MST
paraisopolis
Massacre de Paraisópolis: "cada dia de espera é mais um dia de sofrimento", diz antropóloga
forcas armadas
As Forças Armadas contra o Brasil negro [parte 1]

Leia também

palestina_al_aqsa
Guerra e religião: a influência das profecias judaicas e islâmicas no conflito Israel-Palestina
rsz_jones-manoel
Jones Manoel: “é um absurdo falar de política sem falar de violência”
Palmares
A República de Palmares e a disputa pelos rumos da nacionalidade brasileira
Acampamento de manifestantes pedem intervenção militar
Mourão, o Partido Fardado e o novo totem [parte I]
pera-9
A música dos Panteras Negras
illmatic
‘Illmatic’, guetos urbanos e a Nova York compartimentada
democracia inabalada
Na ‘democracia inabalada’ todos temem os generais
golpe bolsonaro militares
O golpe não marchou por covardia dos golpistas
colono israel
Os escudos humanos de Israel