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São Paulo: Greve de metroviários paralisa metrô parcialmente

Os metroviários denunciam que a companhia garantiu a operação parcial do metrô por meio de um “Plano de Contingência”, mas garante que a adesão à greve é grande. O leilão das linhas 5 e 17 está marcado para amanhã.
por Pedro Marin | Revista Opera
(Foto: Diego Torres Silvestre)

A greve de 24 horas contra as privatizações no metrô, iniciada nesta quinta-feira (18) após assembleia do Sindicato dos Metroviários de São Paulo, paralisou somente parcialmente as operações do metrô da cidade.

De acordo com a companhia, a linha 15-Prata é a única totalmente paralisada. Na linha 1-Azul, a operação é feita entra as estações Ana Rosa e Luz. A linha 2-verde funciona entre Paraíso e Vila Madalena. Na linha 3-Vermelha a operação ocorre entre as estações Bresser-Mooca e Marechal Deodoro. Na 5-Lilás, o funcionamento ocorre entre Capão Redondo e Adofo Pinheiro. Já a linha 4-Amarela, privatizada, funciona normalmente.

“Se alguns trechos do sistema estão funcionando hoje de forma precária é porque a empresa está utilizando o ‘Plano de Contingência’. Como tem ocorrido nas últimas greves, o Metrô está utilizando chefias para operarem trem”, diz nota do Sindicato dos Metroviários, que garante que a adesão à paralisação é forte.

A greve é motivada pela concessão das linhas 5-Lilás e 17-Ouro à iniciativa privada. A categoria denuncia que o leilão, marcado para esta sexta (19), é um “jogo de cartas marcadas”. “A licitação já tem uma vencedora: a CCR. Além de ser a única a apresentar os estudos técnicos, os critérios estabelecidos foram feitos sob medida para ela”, diz a nota do sindicato.

Privatizações

O Governo do Estado planeja ainda privatizar as linhas 2-verde e 15-prata, já construídas, e as linhas 6-laranja e 18-bronze, que atualmente estão em construção. Se isso se realizasse, o Metrô passaria a operar somente as linhas 1-azul e 3-vermelha.

“Nós estamos batalhando para impedir que esse processo se propague e se desenvolva nas demais linhas do Metrô. O que queremos é barrar esse processo de privatização, por isso estamos decretando essa greve, que é feita para denunciar um processo que é deturpado e viciado”, disse o coordenador-geral do Sindicato dos Metroviários, Wagner Fajardo.

O sindicato havia anunciado anteriormente ter indícios de que a empresa CCR, que atualmente opera a linha 4-amarela, será a vencedora do leilão, que se realizará na próxima sexta-feira (19) na Bolsa de Valores. Segundo a categoria, a empresa foi a única das concorrentes a realizar um estudo de viabilidade econômica, e é a única a apresentar capacidade técnica para assumir as linhas.

O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, contestou a denúncia dizendo que “a gente não pode deixar que uma empresa que nunca operou um sistema de trem venha a operar, porque corremos um risco sério. Ao assumir duas concessões, a empresa vai transportar 1 milhão de passageiros por dia. Acreditamos que vai ter concorrência.”

“Não duvidamos que tenha concorrência. O que duvidamos é que a concorrência tenha efeito”, rebateu Wagner Fajardo. Além da questão da concorrência, os Metroviários criticam também o volume do lucro estimado pelo Governo à iniciativa privada. De acordo com as estimativas, o contrato renderá R$ 10,8 bilhões, enquanto lance mínimo do leilão é de R$ 189 milhões, com um investimento de 3 bilhões ao longo de 20 anos como contrapartida. Além disso, caso a demanda de passageiros fique abaixo do estimado, o governo estadual se compromete a compensar a concessionária. “É o capitalismo sem riscos”, criticou Fajardo.

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