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Banco Mundial: mais 150 milhões viverão na pobreza extrema até 2021

A convergência do coronavírus, combinada com o conflito global e mudanças climáticas, demoliu a meta de de erradicar a pobreza até 2030.

A convergência do coronavírus, combinada com o conflito global e mudanças climáticas, demoliu a meta de de erradicar a pobreza até 2030. Por Alan Macleod | MintPress News – Tradução de Fabyola Alves para a Revista Opera
Manifestação em Valencia, Espanha, 2010. (Foto: Abraham Canales)

Um novo relatório do Banco Mundial estima que o número de pessoas que vivem na pobreza extrema em todo o mundo aumentará entre 88 e 150 milhões até 2021, em parte graças à pandemia do COVID-19. Isso representa, pela primeira vez em 20 anos, um aumento no cálculo do número daqueles que vivem com menos de 1,90 dólares por dia, de acordo com o Banco Mundial, chegando a quase 10% da população global. A convergência da pandemia do coronavírus, combinada com o conflito global e mudanças climáticas, colocou o objetivo de acabar com a pobreza mundial até 2030 praticamente longe da vista, alertou o relatório.

82% dos novos empobrecidos vivem em países de rendimento médio, considerando que um grande número de pessoas em todo o mundo perderam seus empregos, seja por causa das medidas de isolamento ou devido às consequências econômicas que se seguirão à pandemia.

No entanto, a classe trabalhadora em países ricos e pobres também está sofrendo com o impacto do vírus. 56 milhões de norte-americanos (incluindo bem mais de um terço dos norte-americanos pobres) foram obrigados a depender de um banco de alimentos durante a pandemia, de acordo com a Pew Research; e no final de julho, 54 milhões entraram com o pedido de seguro-desemprego depois que o setor econômico foi fechado em uma tentativa de lidar com a propagação do vírus. Um terço dos norte-americanos também sofreram redução de salário.

Enquanto isso, os que vivem em países pobres estão em uma situação ainda pior. Em abril, o Programa Mundial de Alimentos alertou sobre uma epidemia de fome global potencialmente massiva, já que os mais pobres do mundo não teriam mais condições de comprar alimentos.

David Beasley, Diretor-Geral do Programa Mundial de Alimentos, falou sobre o surgimento de “múltiplas fomes de proporções bíblicas”, principalmente no Iêmen e no Chifre da África. Mesmo assim, após pressão do governo Trump, a ajuda ao Iêmen foi reduzida para apenas 25 centavos de dólar por pessoa por dia, menos da metade do que as Nações Unidas estimam ser necessário.

Mais de 36 milhões de pessoas em todo o mundo testaram positivo para o coronavírus e houve mais de 1,068 milhão de mortes, embora esta seja provavelmente uma estimativa conservadora. Os países com o maior número oficial de mortos são os Estados Unidos, Brasil, Índia e México

Uma dádiva para os bilionários

Ao mesmo tempo, o coronavírus tem sido uma dádiva para a elite mundial, com grandes empresas conseguindo suportar a pressão e se adaptar melhor do que pequenas empresas. Mesmo com um grande número de pessoas tendo seus meios de subsistência destruídos, a riqueza dos bilionários do planeta aumentou em cerca de um terço (1,5 trilhões de dólares) durante a pandemia. O CEO da Tesla e da SpaceX, Elon Musk, teve sua fortuna mais do que triplicada, para 92 bilhões de dólares, ainda que sua fábrica da Tesla na Califórnia tenha sido temporariamente fechada devido à propagação do vírus.

“O relatório do Banco Mundial mostra claramente que bilhões de pessoas estiveram mais vulneráveis ​​aos impactos econômicos do COVID-19 por causa de décadas de políticas econômicas que os mantiveram vivendo com um salário mínimo acima da linha da pobreza, enquanto os mais ricos da sociedade acumulam cada vez mais riqueza”, escreveu a Oxfam.

Embora não haja dúvidas de que a pandemia de coronavírus causou uma devastação econômica global, os números da pobreza do Banco Mundial há muito são uma fonte de contenção, com muitos alegando que suas definições de pobreza são alteradas intencionalmente para fazer parecer que está havendo progresso. Durante décadas, a organização alterou as definições que caracterizam a pobreza extrema, sem levar em conta outros fatores como a inflação. Além disso, embora 1,90 dólares possam ser suficientes para viver em alguns dos países mais pobres do mundo, tal valor é ridiculamente inadequado para uma nação como os Estados Unidos. Em 2005, o próprio governo calculou que 4,50 dólares era o mínimo necessário para meramente atender às necessidades nutricionais. Outros calcularam que o valor de 1,90 dólares não é suficiente para assegurar uma expectativa de vida padrão, mas que aumentar o valor minaria a ideia de que está havendo progresso na luta contra a pobreza. Enquanto os números da China melhoram (um país que não seguiu o mesmo caminho que o Banco Mundial recomenda), os números de redução da pobreza em todo o mundo parecem piorar.

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