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Cuba: o primeiro país do mundo a vacinar crianças menores de 12 anos

Apesar dos muitos desafios do aumento dos casos e da escassez material, o governo de Cuba está empenhado em levar adiante a vacinação.

Apesar dos muitos desafios do aumento dos casos e da escassez material, o governo de Cuba está empenhado em levar adiante a vacinação. Por Gloria La Riva | Liberation – Tradução de Gercyane Oliveira para a Revista Opera, com revisão de Rebeca Ávila
(Foto: Mar Kiddo)

Na batalha contra a COVID-19, Cuba tem sido um país de vanguarda. É o único país em toda a América Latina que produz as suas próprias vacinas. 

Cuba já enviou mais de 5.000 médicos para ajudar a tratar pacientes da Covid em 57 brigadas para 40 países em todo o mundo desde o início da pandemia. Nenhum outro país chegou perto disso. 

Agora, em um novo avanço importante, bebês e crianças a partir dos dois anos de idade serão vacinados massivamente daqui a dez dias. Cuba é o primeiro país do mundo a vacinar bebês e crianças abaixo dos doze anos. 

Na sexta-feira, 3 de setembro, o Centro de Controle Estatal de Medicamentos, Equipamentos e Dispositivos Médicos de Cuba (CECMED) anunciou a aprovação de emergência para a vacinação em massa de crianças de dois anos e crianças até os 11 anos de idade utilizando a vacina Soberana 02. A Soberana foi desenvolvida e é produzida pelo famoso Instituto de Vacinas Finlay. No dia 15 de setembro terá início a vacinação pediátrica. Os estudos mostraram que a vacina é segura e eficaz nessa faixa etária. Jovens entre os 12 e os 18 anos começaram a receber a Soberana a partir de 5 de setembro.

Até 15 de novembro, todos os alunos menores de 18 anos voltarão às escolas totalmente vacinados, assim como crianças em idade pré-escolar. Por agora, os alunos começarão as aulas do outono no dia 6 de setembro pela televisão, como vem sendo a prática desde que a pandemia começou.

A Dra. Olga Lidia Jacobo Casanueva, diretora do CECMED, disse à TV cubana: “É uma grande notícia para o povo cubano, para a família cubana que esperou para poder vacinar os seus filhos. É um verdadeiro feito para a ciência cubana e representa um momento histórico no nosso país”.

Desde o final de junho, Cuba tem sofrido um aumento dramático de casos positivos de Covid em meio ao bloqueio econômico cada vez mais severo dos EUA e a paralisação do turismo devido à pandemia. De cerca de 1.100 novos casos em média no início de junho, o número disparou para uma média de 9.504 novos casos positivos há um mês. A média dos últimos quatro dias que terminaram em 4 de setembro foi de 6.899.

Apesar dos muitos desafios do aumento dos casos e da escassez material, o governo socialista e as instituições de saúde de Cuba estão empenhados em levar adiante o plano nacional e as suas três medidas de vacinação mais eficazes para cobrir toda a população.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel anunciou no dia 31 de agosto – numa reunião especial de cientistas e profissionais de saúde – que 92,6% de toda a população cubana estará totalmente vacinada com o processo de três doses até novembro.

O projeto corajoso de vacinação universal de bebês, crianças e adultos é possível devido ao sistema de vacinação altamente organizado do país, em vigor há décadas. Os cientistas cubanos, totalmente apoiados por um governo que deposita sua confiança nos seus conhecimentos e dedicação, trabalham para o bem comum – livres de uma motivação pelo lucro.

Além disso, a sociedade cubana não tem sofrido a polarização provocada pelos políticos de direita e falsos meios de comunicação dos Estados Unidos, que se opõem ativamente às exigências de vacinações e o uso de máscara. Milhões de pessoas nos Estados Unidos foram vítimas da histeria anticientífica, levando a falhas na vacinação. Os casos e mortes nos EUA pela Covid estão na segunda maior onda desde abril de 2020, e continuam a crescer. 

A pandemia tem sido severa para Cuba devido ao bloqueio de longa data que se intensificou ainda mais sob Trump. A indústria do turismo – uma importante fonte de rendimento para o país e para os trabalhadores – praticamente fechou devido ao vírus.

Até agora, todas as vacinas a nível internacional foram aprovadas para uso emergencial pelas instituições de saúde competentes, devido aos seus resultados altamente eficazes e à necessidade de tomar medidas imediatas dada a gravidade da pandemia.

Os estudos pediátricos em Cuba tiveram início em 14 de junho deste ano. A primeira fase contou com 25 adolescentes voluntários, de 12 a 18 anos de idade, e depois um grupo maior de 350. No início de julho, quase 600 bebês e crianças menores de 12 anos participaram dos testes clínicos. Os testes de vacinas para crianças receberam o nome de Ismaelillo, em homenagem à poesia escrita pelo herói nacional de Cuba, José Martí, ao seu filho.

Nenhuma criança está isenta da variante Delta, altamente contagiosa e agora predominante em todo o mundo. A urgência da vacinação pediátrica em toda parte é maior do que nunca, uma vez que o ano letivo recomeça esta semana.

A luta contra a Covid está longe de terminar. Mas o mais recente feito de Cuba é um exemplo brilhante do povo cubano e da sua revolução, enfrentando a adversidade com determinação para superá-la.

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