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Colin Powell (1937-2021): o caixeiro-viajante de matanças dos EUA

Colin Powell teve uma longa carreira a serviço do imperialismo. Seu feito mais notável foi mentir para sustentar a Guerra do Iraque.

Colin Powell teve uma longa carreira a serviço do imperialismo. Seu feito mais notável foi mentir para sustentar a Guerra do Iraque. Por Sameena Rahman | Liberation News – Tradução de Pedro Marin para a Revista Opera
(Foto: Department of Defense / Robert D. Ward)

Colin Powell, ex-secretário de Estado sob o governo de George W. Bush e promotor chave da Guerra do Iraque, morreu no dia 18 deste mês, aos 84 anos, em decorrência de complicações ligadas à COVID-19. Embora saudado pela grande mídia e entre a elite política norte-americana como um exemplo brilhante de bipartidarismo e integridade, Powell deixou um legado de destruição e morte massiva de civis em todo o mundo, principalmente no Iraque.

Uma das contribuições mais flagrantes de Powell para a invasão do Iraque em 2003 foi seu discurso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Enquanto Rumsfeld, Cheney, Wolfowitz e outros falcões de guerra raivosos tinham pouca credibilidade internacional, Powell havia desenvolvido uma imagem pública que inspirou muito mais confiança. Durante a reunião do Conselho de Segurança em 5 de fevereiro de 2003, ele se apresentou como o principal intermediário do governo Bush, justificando a destruição iminente do Iraque. Ele argumentou que isso era necessário por causa do suposto arsenal de armas de destruição em massa de Saddam Hussein – tudo baseado em evidências inexistentes e constituídas de “inteligência crua”. Tudo é capturado em uma imagem infame de Powell segurando um frasco de antraz para dramatizar seu argumento, mentindo intencionalmente para o Conselho de Segurança e para o mundo.

Durante a primeira Guerra do Golfo, em 1990, Powell serviu como presidente do Estado-Maior Conjunto – general máxima das Forças Armadas dos EUA – enquanto uma devastação inacreditável era levada ao povo iraquiano. Duzentos mil iraquianos foram mortos no conflito, muitos deles na infame “Rodovia da Morte”, quando as forças dos Estados Unidos massacraram forças iraquianas em retirada que não representavam nenhuma ameaça – um crime de guerra. Quando questionado sobre quantos civis iraquianos foram mortos na Guerra do Golfo, Powell declarou: “Realmente não é um número pelo qual eu esteja terrivelmente interessado”.

Entre as duas guerras, enquanto Powell ainda era chefe do Estado-Maior Conjunto, os EUA impuseram um regime de sanções sufocantes contra o Iraque. De acordo com estimativas publicadas pelo conceituado jornal britânico The Lancet, 567 mil crianças morreram em decorrência dessas sanções.

Em 2003, as mentiras e invenções flagrantes de Powell contra Saddam Hussein levaram a baixas massivas de civis iraquianos e semearam o caos no país, levando a mais de um milhão de iraquianos mortos durante a prolongada ocupação.

A participação de Powell nos crimes do imperialismo norte-americano remontam à Guerra do Vietnã, particularmente no que se refere ao terrível massacre de Mỹ Lai em 1968, quando civis vietnamitas foram impiedosamente massacrados por soldados norte-americanos. Quando encarregado de investigar o massacre, ele não só minimizou o horror, como mentiu ao público norte-americano alegando que “as relações entre os soldados norte-americanos e o povo vietnamita são excelentes”.

Assim como outros arquitetos e criminosos da guerra, o legado de Powell está sendo higienizado pelos ricos e poderosos. é importante lembrar que ao longo de sua carreira, Powell defendeu, justificou e levou a cabo uma destruição indescritível aos países alvos dos EUA. Colin Powell foi um completo servo do império – um papel que ele desempenhou descaradamente, não importando os custos humanos.

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