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A América do Sul no mundo fraturado

Os Estados Unidos se preparam para a guerra contra a China em todo o mundo, e o planejamento militar inclui a América do Sul.
Os Estados Unidos se preparam para a guerra contra a China em todo o mundo, e o planejamento militar inclui a América do Sul. Por Pablo Gandolfo | El Salto – Tradução de Pedro Marin para a Revista Opera
14.04.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e presidente da República Popular da China, Xi Jinping. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)|02.05.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Reunião com o Presidente da República Argentina, Alberto Fernández. Palácio da Alvorada, Brasília – DF. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)|13.04.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Huawei. Xangai – China. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

Diante do enfraquecimento progressivo de sua hegemonia global com a guerra que promoveu na Ucrânia, os Estados Unidos inauguraram uma nova fase em sua projeção geoestratégica: a fratura do globo para conter a China. Isso equivale a reconhecer que, em uma fração do mundo, os Estados Unidos não serão hegemônicos, e a China e seus aliados terão sua parte. Mas isso não é o mesmo que dizer que o aparato estatal dos EUA se resignará passivamente. 

Essa estratégia tem duas áreas em que a complacência local deve ser total: Europa e América Latina. Na Europa, tudo estava indo de acordo com o planejado: a guerra na Ucrânia agiu como uma força centrípeta; a OTAN parecia revigorada; as burguesias europeias não se desalinharam, apesar do capital dos EUA estar usando o conflito para ganhar competitividade em relação a elas; e a possibilidade dessa marcha ser interrompida não depende das elites, mas da reação dos povos, à medida que as burguesias passam a conta da guerra – cada vez maior – para suas próprias classes trabalhadoras.

No entanto, nas últimas semanas, houve sinais de uma quebra dessa ordem. Um povo com uma longa tradição de revolta, o francês, se levantou contra uma reforma previdenciária. O tipo de aposentadoria que os franceses terão é uma questão que também será influenciada, e muito, pela forma como o conflito na Ucrânia for resolvido.

Conforme desenvolvemos em artigos anteriores do El Salto, hoje, menos do que nunca, podemos ler os eventos como fragmentos desconectados, sem vínculos. Mas hoje, mais do que nunca, a mídia hegemônica tende a apresentar as informações dessa forma. Há uma batalha contínua pela reordenação do mundo, e cada movimento afeta todos os outros movimentos. Não apenas os países, mas também as classes sociais dentro deles e as frações de classe. As relações de poder entre as classes sociais em um país têm um correlato em sua política externa. E vice-versa.

A mudança nas relações de poder na sociedade francesa resultante de sua última revolta é uma das forças motrizes por trás das declarações de Emmanuel Macron durante sua viagem de volta da China, a mais dissonante em relação ao alinhamento automático com os Estados Unidos que uma autoridade europeia fez em mais de um ano de conflito. Macron disse que “a Europa deve reduzir sua dependência dos Estados Unidos e evitar ser arrastada para um confronto entre a China e os Estados Unidos sobre Taiwan”. Ele acrescentou que, se isso não for feito, “o grande risco” é “ficar preso em crises que não são nossas, o que nos impede de construir nossa autonomia estratégica”. E ele chegou a uma conclusão lapidar: “Se as tensões entre as duas superpotências aumentarem… não teremos tempo nem recursos para financiar nossa autonomia estratégica e nos tornaremos vassalos”.

Um dos três jornalistas a quem Macron deu a entrevista era do site Politico. No final do artigo, esclarece-se que o conteúdo foi revisado e polido pelos assessores de Macron. A reportagem termina dizendo que “algumas partes da entrevista em que o presidente falou ainda mais francamente sobre Taiwan e a autonomia estratégica da Europa foram removidas pelo Palácio do Eliseu”. Isto é: na realidade, o presidente francês foi ainda mais duro do que na versão envernizada que nos foi oferecida.

A guerra chega ao Cone Sul

Na América Latina, o imperativo geoestratégico dos EUA ainda não se expressa tão claramente quanto do outro lado do Atlântico, mas já está no horizonte. No subcontinente, os atores decisivos são o Brasil e a Argentina. A América Central não tem força para liderar o caminho, e a margem de manobra do México, dada a sua dependência da economia dos EUA, é limitada. Além disso, o México está tentando se beneficiar – ingenuamente? – da nova geoeconomia que Washington está tentando construir com o near-shoring, friend-shoring e ally-shoring, medidas para encurtar as cadeias de valor e usar o país como uma plataforma próxima para mão de obra barata, substituindo o Sudeste Asiático e a China. O near-shoring tem um lado comercial, mas também tem um lado militar, que é a preparação para uma guerra em uma escala diferente das que conhecemos nas últimas décadas.

Em Pequim – parece que a capital chinesa insufla a coragem dos líderes ocidentais – Lula abordou uma questão muito sensível para os Estados Unidos e se juntou à infinidade de iniciativas para negociar por fora do dólar: “Por que todos os países precisam fazer seu comércio com base no dólar? Por que não podemos negociar com nossas próprias moedas? Quem decidiu que deveria ser o dólar?” Ele fez as declarações em uma circunstância carregada de simbolismo, já que Dilma Rousseff tomou posse como presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) do BRICS, que pretende ser a contraparte do FMI.

Lula também se referiu à situação da Argentina: “Não cabe a um banco sufocar a economia de uma nação como o FMI está fazendo agora com a Argentina, como fez com o Brasil durante tanto tempo e como fez com os países do terceiro mundo. Nenhum governo pode trabalhar com uma faca em sua garganta porque tem dívidas.” Ele também denunciou que o FMI faz os países de reféns: “Quando o Fundo Monetário Internacional ou qualquer outra instituição empresta a um país do terceiro mundo, as pessoas acham que têm o direito de comandar, de administrar as contas dessas nações, como se fossem seus reféns”. E exortou Dilma Rousseff para que o NBD “empreste dinheiro com o objetivo de ajudar os países em desenvolvimento, e não de sufocá-los”.

 Leia também – Lei e guerra: como resolver o problema das Forças Armadas? 

As palavras de Lula contêm um diagnóstico. A dívida externa e o Fundo Monetário Internacional são os principais instrumentos para conseguir a submissão total de Buenos Aires aos Estados Unidos. A necessidade premente do país de dólares serve para apertar o laço em torno de seu pescoço. O curioso é que a Argentina gera os dólares de que precisa, mas o capital financeiro internacional encontrou na dívida externa, com a cumplicidade da lumpen-burguesia local, a maneira de devolver esses dólares a Wall Street e reciclá-los, mergulhando o país em uma escassez cíclica.

O governo anterior, liderado por Mauricio Macri, um empresário especializado em negócios que estão em desconformidade com a legalidade, tomou emprestados 100 bilhões de dólares de nova dívida externa. Eles não foram usados para fazer investimentos produtivos, mas para converter os lucros das empresas, de pesos para dólares, e transferi-los para o exterior.

O governo atual recebeu um cronograma de pagamento impossível de ser cumprido, que incluía 18,9 bilhões de dólares em 2022 e 19,1 bilhões de dólares em 2023. A impossibilidade de pagamento não foi um erro de cálculo, mas parte do programa original do acordo. Essa incapacidade renova a necessidade de renegociar, negociações nas quais se impõem novas condições ao país. A negociação que foi encerrada em março de 2022 contém condicionalidades que já levaram a Argentina à beira da pior crise econômica, social e política de sua história. No entanto, esse acordo não foi escrito para ser cumprido, mas sim, quando chegar a hora, para ser um novo instrumento para impor as condições que a situação tornar pertinentes. Nesse ponto, as finanças dão lugar à geopolítica.

02.05.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Reunião com o Presidente da República Argentina, Alberto Fernández. Palácio da Alvorada, Brasília – DF. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

“A terra quer me levar”

A ofensiva desenvolvida no último mês contra a Argentina é ostensiva. Há vinte dias, o presidente argentino, Alberto Fernández, esteve na antípoda de Pequim – Washington – e suas declarações foram o contrário das de Macron e Lula. A comunicação oficial da Casa Branca afirma que os presidentes falaram sobre “minerais críticos, mudança climática, espaço e tecnologia”. Vale a pena lembrar desses tópicos.  

Em uma entrevista após a reunião, o presidente argentino deixou transparente o cerne da relação, a “ajuda” financeira em troca da entrega de recursos valiosos pela Argentina: “Somos grandes produtores de alimentos, somos grandes fornecedores de gás, e o primeiro importador de lítio da Argentina são os EUA (…) Marcamos essa reunião com as equipes para poder trabalhar nessas questões, sabendo que a Argentina está passando por uma situação particularmente difícil”. Na mesma entrevista, o presidente disse que Biden mencionou a presença de empresas chinesas em projetos de infraestrutura no país. 

Entre essas preocupações – que não foram mencionadas em declarações públicas por nenhum dos presidentes, mas que podem ser reconstruídas a partir de documentos e declarações de outras autoridades norte-americanas, especialmente da chefe do Comando Sul, a general de quatro estrelas Laura Jane Richardson – estão cinco questões críticas:

1 – Que a Huawei não fique com o 5G. O crescimento da largura de banda permitirá que sistemas militares, inteligência artificial, internet das coisas e muito mais recursos sejam executados nele.

2 – Que a China não construa a usina nuclear Atucha 3. De acordo com cientistas argentinos, a iniciativa permitiria que eles fizessem seus próprios avanços no setor atômico nacional.

3 – Que não compre caças chineses Jf-17 para a Força Aérea, muito menos que os fabrique.

4 – Rejeitar a participação chinesa no porto de Ushuaia e Río Grande, localizados no extremo sul, a poucos quilômetros do Estreito de Magalhães. O único local de passagem do Oceano Atlântico para o Pacífico caso o Canal do Panamá fosse fechado.

5 – Que não haja empresas chinesas operando na hidrovia do Rio Paraná.

“Me perseguem com a glória perdida de seu Deus”

Uma menção muito especial, por seu tom ameaçador e insolência, merecem as palavras proferidas pela congressista republicana María Elvira Salazar durante uma audiência legislativa em Washington em 1º de abril: “Vou usar este fórum para enviar uma mensagem aos argentinos, especificamente à vice-presidente. Quero fazer isso em espanhol, porque talvez eles não escutem outros, mas talvez me escutem. Quero avisá-los de que, se decidirem construir uma fábrica de aviões, uma fábrica de caças chineses, será uma péssima ideia para eles e para tudo o que tem a ver com o relacionamento com os EUA.” Ela disse isso em inglês, e trocou de idioma: “Vou dizer isso em espanhol para que fique bem claro para meus amigos argentinos. Sua presidente e seu presidente (sic) estão fazendo um pacto com o diabo que pode ter consequências de proporções bíblicas. Os EUA não vão ficar de braços cruzados, porque não se pode ter um aliado que fabrica e exporta aeronaves militares chinesas e as vende para seus vizinhos. Há dois mundos, o mundo livre e o mundo dos escravos, e espero que os argentinos permaneçam no mundo livre.” Maria Elvira não parece se importar muito com a sororidade.

Graças ao Espírito Santo e sua capacidade de operar milagres, a mensagem evangélica de nosso tempo – o sacrossanto capital financeiro – se expressou 30 dias depois e começou a descarregar sua fúria contra o país de escravos que faz pactos com Belzebu. Para isso, decidiu se apoderar de corpo e alma da humanidade de Loretta Preska, uma juíza do Distrito Sul de Manhattan que decidiu contra o Estado argentino e a favor de dois fundos de investimento na expropriação da companhia petrolífera nacional YPF, a empresa mais importante do país. Os que se beneficiaram imediatamente foram os proprietários de ações da Buford Capital – um dos dois fundos em questão – que subiram 67% na semana, com um pico de mais de 80%.

Com essa decisão, uma espada de Dâmocles de 8 a 20 bilhões de dólares ameaça a empresa petrolífera estatal que está em Vaca Muerta, o segundo maior campo de gás de xisto do mundo e o quarto maior campo de petróleo. Nota dez em geopolítica para o Espírito Santo. 

Cinco dias depois dessa decisão, veio outra, dessa vez de Londres, no valor de 1,33 bilhão de euros. A Suprema Corte decidiu a favor de quatro fundos abutres por terem modificado em 2013 a forma como o PIB era medido, impedindo que os detentores de títulos cobrassem um valor adicional vinculado a essa variável. Por meio de tratados internacionais, o capital financeiro amarrou os países de tal forma que eles não têm nem mesmo a soberania para modificar a maneira como suas estatísticas são compiladas. 

A soma de todos esses elementos – o último, mas também os mencionados por Biden e Fernández – faz todo o sentido quando vista pelas lentes de um artigo escrito por Evan Ellis, professor e pesquisador do US Army War College. Sob esse prisma, parece que, por trás de um véu comercial, os estrategistas dos EUA estão lidando com uma questão militar em face de uma Terceira Guerra Mundial, desta vez contra a China.

“O cara pálida me persegue com a guerra sutil”

O artigo de Ellis é intitulado “O papel estratégico da América Latina em um conflito global sobre Taiwan”. Ele prevê que uma guerra é factível nos próximos dez anos e levanta a possibilidade de que o subcontinente “se torne um campo de batalha em tal conflito”. Nesse cenário, a China estaria trabalhando para “garantir a continuidade do fornecimento de alimentos”, “colaborando com o Brasil para ter acesso ao nióbio [usado na indústria aeroespacial e em supercondutores] e com a Argentina, o Chile, a Bolívia e o México para garantir o fluxo de lítio”.

Ellis parte do conceito de que qualquer presença civil chinesa é potencialmente um instrumento militar em caso de conflito: “As empresas sediadas na República Popular da China que operam na região poderiam servir como um canal lógico para abrigar e dar suporte a esse contingente de militares, bem como a qualquer equipamento especial que eles tragam. O efetivo chinês designado para essas empresas (…) forneceria informações sobre as condições locais, incluindo relações com figuras políticas e a população em geral, informações logísticas e técnicas e outras características do terreno”.

 Leia também – A China é maior, aceite isso 

Esse contingente poderia atuar na “preparação para o rompimento de instalações ou rotas importantes de interesse dos EUA, como o Canal do Panamá”. Portanto, é importante que a China não se envolva na construção de portos na Terra do Fogo devido ao “valor estratégico da instalação para o controle do Estreito de Magalhães. Os incentivos para que os chineses usem essa instalação e para que o governo argentino o permita seriam complementados por sua relativa distância dos EUA e, portanto, sua segurança contra ataques dos EUA”. 

As hipóteses incluem um ataque biológico maciço à região: “A criação de uma crise alimentar por meio da realização de ataques biológicos plausivelmente negáveis a plantas e animais da região que abastecem os EUA”. Considerando a propensão dos serviços secretos dos EUA para ataques de falsa bandeira, a frase também pode ser interpretada como uma sugestão operacional para ajudar a desencadear o conflito.

O conhecimento que a China possui, por meio de suas empresas civis na região, facilitaria ataques à “infraestrutura crítica em setores como telecomunicações, eletricidade, finanças e portos, entre outros”. As ações poderiam incluir a “interrupção das cadeias de suprimentos que apoiam as principais empresas de defesa”, em particular os “minerais críticos”. 

Uma preocupação especial está no domínio digital, devido às “informações coletadas pela (…) Huawei, ZTE, Xiaomi, Oppo e outros smartphones, dados governamentais, pessoais e comerciais que trafegam pelas arquiteturas de telecomunicações regionalmente dominantes da Huawei e da ZTE, dados contidos nos servidores em nuvem da Huawei e da Alibaba (…) sobre a localização e as principais atividades do governo”. O concorrente da Uber, Didi, é mencionado como uma fonte de informações valiosas. Além da Hikvision e da Dahua, que comercializam câmeras de vigilância. Essas informações podem ser usadas “para atingir líderes do setor político e de segurança, (…) incluindo com chantagem, aproveitando o conhecimento de suas vidas pessoais obtido por meio do acesso digital mencionado acima”.

13.04.2023 – Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita ao Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Huawei. Xangai – China. (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O mesmo se aplica ao domínio espacial: “O acesso da China às arquiteturas espaciais e ao pessoal latino-americano pode lhe dar oportunidades significativas em tempos de guerra para capturar sinais de inteligência ou outras informações sobre alvos dos EUA”. Em particular, os satélites desenvolvidos em conjunto, que incluem cinco com o Brasil, três com a Venezuela e um com a Bolívia. Esse item inclui a “construção e operação do radar de espaço profundo em Neuquén, Argentina, gerenciado pelo pessoal do Exército de Libertação Popular [ELP, Forças Armadas Chinesas]” e também “a instalação de alcance a laser no Observatório de San Juan (…). O acesso a essas instalações espaciais poderia fornecer dados para apoiar ataques chineses baseados no espaço contra os EUA”.

A análise de cenário de Evan Ellis inclui a possibilidade de que, em um estágio inicial do conflito, a China possa destruir as frotas navais dos EUA no Pacífico “por meio de seus mísseis balísticos e de cruzeiro antinavios” e possa “manter à distância as plataformas de projeção de poder dos EUA, como porta-aviões, navios anfíbios e outros navios de superfície”.

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Esse cenário é importante para a América do Sul porque o centro de gravidade do conflito se deslocaria cada vez mais da costa asiática para a costa da América. Como a China não terá força para avançar sobre a costa dos EUA, ela teria de fazê-lo em áreas mais distantes, onde os Estados Unidos têm menos possibilidades de projetar seu poder aéreo e naval, e depois se deslocar progressivamente para o norte. A chave para isso seria a empresa de transporte comercial China Shipping, cujos contêineres podem ser vistos em qualquer porto sul-americano, o que permitiria “familiaridade operacional”, bem como “a capacidade de fazer uso militar efetivo de qualquer instalação que seria facilitada pelo conhecimento e pelas relações de trabalho com contrapartes militares no país em questão”.

O documento termina com um aviso aos líderes latino-americanos: “É do interesse dos líderes políticos e de outras pessoas na região considerar como as interações militares com o Exército de Libertação Popular, bem como os projetos comerciais com empresas sediadas na República Popular da China por governos e parceiros latino-americanos, em setores estratégicos como portos, espaço e domínio digital, podem contribuir indiretamente para a forma como os chineses podem tentar explorar as oportunidades criadas por esses projetos no caso indesejável de o foco crescente do governo Xi na incorporação forçada de Taiwan desencadear um conflito de alcance global”. Isto é: se a China atacar Taiwan, o ônus recairá sobre os governantes latino-americanos, que permitiram que muitas empresas chinesas negociassem com o continente.

Deixando de lado a relação problemática entre Evan Ellis e o raciocínio lógico, se a dinâmica não for radicalmente modificada, a América do Sul pagará caro por suas fraquezas expressas há dez anos, quando não foi capaz de construir uma unidade forte em torno da Unasul – que agora está tentando reavivar – que permitisse blindar o subcontinente. Uma década depois, a região assiste como espectadora privilegiada, sem voz nem voto, ao planejamento do confronto em seu próprio território para a reconfiguração do mundo.

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