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’42 | A revolução marroquina [Ep.2]

No segundo capítulo da série de ficção ’42, Fatima rememora os dias da Revolução Marroquina
João Camargo e Nuno Saraiva
'42
A Revolução Marroquina, ocorrida em 2028. (Ilustração: Nuno Saraiva)
ARevista Opera tem o prazer de apresentar ao público brasileiro a série portuguesa de ficção científica ‘42, escrita por João Camargo, pesquisador de mudanças climáticas e militante do movimento por justiça climática, e ilustrada pelo cartunista, pintor e ilustrador Nuno Saraiva.

Leia os capítulos anteriores: [Prólogo] | [Ep.1]


 

– Fatima, desculpa, caiu a chamada! Estávamos falando de quando você começou a se envolver mais a sério com a política. Não deve ter sido fácil sair do teu país…

– Continuei a fazer o trabalho de contato com movimentos político-climáticos de vários países na Europa. Havia exilados como eu, mantenhamos contato e até fazíamos muita da comunicação das pessoas que tinham ficado em Marrocos. 

(Ilustração: Nuno Saraiva)

– Foi nessa altura que nos conhecemos, certo?

– Sim, fiquei na sua casa, 10 meses, com os seus pais, os meus queridos amigos António e Marta. O António também estava envolvido no Mundo Novo…

– Pode explicar melhor o que era o Mundo Novo?

– Era uma coligação de sindicatos, acadêmicos e movimentos pela justiça climática. Era uma plataforma que construía planos de transformação ecossocial para os diferentes países, e foi por causa disso que fiquei com vocês.

– Era uma coisa mais técnica?

– O Mundo Novo começou sendo um pouco acadêmico, mas foi-se tornando cada vez mais político. Quando surgiu, falávamos principalmente de energia e transportes, e dos impactos da crise climática para os trabalhadores desses setores. Mas evoluiu rapidamente. Expandiu-se a todas as outras atividades da sociedade e começou a organizar grandes manifestações, no meio das crises financeiras. Tornou-se numa espécie de grande aliança progressista. Mas havia sempre muita resistência à ideia de se tornar um partido político eleitoral.  E assim ficou sempre neste modelo.

– Mais tarde foi o Mundo Novo que escreveu a Rota do Futuro, não foi? Quando começaram as grandes migrações.

– Sim. A Rota do Futuro foi um documento maravilhoso que criou as bases para a distribuição de mais de 500 milhões de refugiados climáticos em todo o mundo ao longo de 15 anos pelos países onde havia condições de recepção. Com as Caravanas pelo Futuro movimentávamos milhões de pessoas, em deslocações de grupos com centenas de milhares de pessoas dos seus locais de fuga até aos seus destinos finais.

– Me conte mais sobre isso – nunca tinha acontecido um movimento de refugiados bem organizado pelo mundo todo? 

– Eu participei em sete, ao longo de quatro anos. A mais longa das deslocações que fizemos foi do Paquistão até à Alemanha. Outras foram mais curtas, mas logisticamente muito complexas, como da Indonésia à China, com ferrys e barcos. 

– Não eram processos nada simples… imagino.  

– Não. Nos primeiros anos, as coisas eram muito complicadas. Tínhamos que proteger as caravanas de ataques. Na Europa, mas não só… Mas foram melhorando com o tempo. Também fomos aprendendo e o sentimento em relação ao processo migratório foi mudando, porque era cada vez mais gente de todos os lugares, e mesmo dentro dos países havia grandes mudanças, havia partes dos países que estavam se tornando inabitáveis e havia muitas migrações internas. As chegadas e os festivais de recepção eram maravilhosos, alegria pura. Era épico. Comecei a sentir que uma nova ideia de Humanidade estava ali. Ou uma ideia antiga, dos viajantes e dos hóspedes de braços abertos. Foi quando comecei a sentir que podia finalmente me afastar e descansar. 

(Ilustração: Nuno Saraiva)

– Mas isso já aconteceu depois da Revolução Marroquina, não é? E essa foi já uma revolução causada ou iniciada pelos problemas climáticos… 

– A revolução foi em 2028. Quer que eu fale sobre ela?

– Acho que é importante, sim.

– Bem, não é possível explicar apenas com o Marrocos. As grandes ondas de calor antes já tinham mudado tudo na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, até o movimento ecomunista já tinha sido fundado e anunciado publicamente. Eu tinha estado no movimento com a sua mãe. Mas eu não pertencia à fração armada. 

– A minha mãe pertencia a uma fração armada?!

– Sim, a Marta era dirigente do Exército Verde. Ela tinha experiência por ter estado antes nas grandes ações de sabotagem. Tinha pertencido à ORCA ou à Descarbonária, não tenho certeza qual. E ela não falava nisso. O passado dela era um pouco obscuro, não te sei dizer com certeza..

– Não sabia nada disso. Como é que eu posso saber mais? Com quem você acha que posso falar?

– Eu acho que o Gianrocco podia te contar sobre isso. Sabe quem é? O Gianrocco Fratin?

– Não. 

– Ele conhecia os seus pais, através do movimento.  É Comissário da Energia em Florença. Posso pôr vocês em contato.

– Obrigado. E ele também era do Exército Verde?

– Não, era das equipes de informação do movimento e era um dos responsáveis por articulações com a guerrilha e com outros grupos, por isso sabia as ligações todas. Ficou sempre muito ativo, aliás ainda é hoje. É mais novo que eu. Também é um bom contato porque sabe muito mais do que eu sobre o que se passou na Europa. 

– Mas conta então como é que foi a revolução.

– A ditadura de Sisi no Egito já tinha sido derrubada por um golpe de estado laico e a guerra civil nos Estados Unidos estava acontecendo. Houve uma grande escalada de tensão entre os governos do Marrocos e da Argélia e os governos estavam mobilizando suas forças armadas para uma guerra – que seria fratricida e completamente estúpida. A exportação de gás para a Europa tinha parado totalmente e havia tensão com a chegada de refugiados climáticos do lado da região do Saara, e em particular nos territórios do Saara Ocidental.

– E conseguiram parar a escalada da guerra?

– No Marrocos fizemos uma grande aliança progressista (nós éramos uma parte importante da aliança) e derrubamos a Monarquia praticamente sem violência.

– E na Argélia?

– Na Argélia o movimento avançou sozinho e falhou. As tensões entre os dois países desescalaram e porque nós éramos governo aqui, eles não mataram os nossos companheiros lá, alguns até foram exilados para o Marrocos.

– E o que mudou com a revolução?

– Conseguimos fazer um programa de transformação parcial, coletivizamos a água e a energia e começamos uma reforma agrária. Estávamos demasiado dependentes de agricultura vinda de fora para continuarmos a aguentar os choques de fome. E por incrível que pareça, funcionou! A Sul, o movimento participou em levantamentos e revoluções na Nigéria, em Angola e na Namíbia, e estava governando por meio de alianças. Mas depois aconteceu a Assembleia Sangrenta e, a nível internacional, o movimento foi reprimido na maior parte dos outros países. Foi nessa altura que os seus pais foram presos. Sabe do que estou falando?

– Sei.


ASSEMBLEIA SANGRENTA

(Ilustração: Nuno Saraiva)

Uma bomba explodiu na Assembleia Geral de Acionistas da Shell em Londres ontem, e 200 pessoas morreram, incluindo todos os membros do Conselho de Administração. A Scotland Yard e a polícia metropolitana de Londres já detiveram vários suspeitos. O presidente da Comissão Europeia acusa diretamente os movimentos ambientalistas e climáticos da autoria do atentado e promete que a União Europeia vai trabalhar para punir de forma exemplar os terroristas responsáveis por estas mortes.


TERRORISTAS DO MOVIMENTO ECOMUNISTA PRESOS

(Ilustração: Nuno Saraiva)

A Agência Europeia de Justiça, o governo dos Estados Unidos e o governo provisório da República do Texas emitiram mandados de prisão internacionais para mais de mil dirigentes associados ao movimento ecomunista, com mais de 600 sido já detidos na Europa. O Tratado Mundial do Clima ainda não tomou qualquer posição oficial, enquanto os governos de Angola, Nigéria, Namíbia e Marrocos (onde ecomunistas fazem parte do governo) rejeitam a acusação e a validade dos mandados de prisão. Os países asiáticos também não reconhecem a validade do mandado de prisão. O movimento ecomunista é acusado de estar por trás do atentado que vitimou mais de 300 pessoas em Londres, na Assembleia Geral da Shell.


– Veja, Alexandre, eu me canso muito rápido e buscar essas coisas todas do passado está me estressando um pouco. Vou te pedir para pararmos por hoje. 

– Claro, Fatima. Como preferir. Podemos falar outro dia?

– Sim, acho que sim. Mas da próxima vez traz a criança, que eu queria muito vê-lo. Como está a tua companheira?

– Muito bem.

– Traga ela também para eu vê-la. Vocês estão felizes? 

– Estamos muito felizes. 

– Ainda bem. Para isso não ficar em aberto: depois a questão da Assembleia Sangrenta se resolveu. Mas quem pode te explicar isso bem é o Gianrocco. Eu te envio o contato dele. E também do Sukumar.

– Já tenho o do Sukumar, Fatima. Vou falar com ele nas próximas semanas.

– Lhe mande um forte abraço e diga a ele que me envie o seu último livro, que ainda não recebi.

– Digo. Quer marcar já a próxima data para falar?

– Agora não estou com a agenda, Alex. Façamos um plano nos próximos dias. Foi muito bom te ver, saber que é hoje uma pessoa feliz, bonita, curiosa. Os seus pais ficariam muito felizes, Alex, por saberem que você também quer saber o que eles fizeram, o que eles arriscaram. Eu estou muito feliz por falar contigo. Um beijo, meu querido. Shukran.

– Adeus, Fatima.

Não voltei a falar com a Fatima. Ela foi internada uns dias depois e morreu de câncer do pulmão depois de duas semanas. Antes de morrer, ela me enviou um email com alguns contatos, entre eles o do Gianrocco Fatin e do Pepe Infante.


A desglobalização instalou-se

(Ilustração: Nuno Saraiva)

O chanceler Henry Sacksville sentou-se e refletiu em voz alta sobre que o fraco consenso em relação ao neoliberalismo: “colapsou definitivamente” e não apenas pelo fato de “ninguém ligar para a Organização Mundial do Comércio, ao Banco Mundial ou ao Fundo Monetário Internacional”. “As transações globais”, disse, “quer financeiras, quer de matérias-primas, manufaturas, ou bens e serviços, estão em queda há anos”. Desde os anos 80 do século passado que não trocamos tão pouco a nível global.

No rescaldo das eleições americanas, a não aceitação dos resultados eleitorais por parte dos republicanos e da extrema-direita americana levou a uma campanha de sabotagem da rede elétrica. E a nova administração acabou por, segundo o secretário da Energia, Kyle DeSomber, lançar “a Energize, o maior pacote de energia descentralizada em grande escala da história, $200bi”, que acabou por quebrar a pujança econômica das exportações do maior produtor de petróleo e gás do mundo.

A independência da Crimeia, da Abecásia e da Ossétia do Sul, afastando-se da Rússia, da Ucrânia e da Georgia, foi outro forte abalo na estabilidade do sistema de transporte de combustíveis fósseis. Não tanto pela produção de petróleo em Serebryankse e Subbotina, ou de gás em Chornomoske, Dzanhkoi e Odeske, mas pela redução de acesso direto russo e ucraniano aos portos do Mar Negro, depois de anos de conflito e declínio da ligação fóssil russa com a União Europeia. As catástrofes climáticas no Qatar e Arábia Saudita comprimiram ainda mais a indústria e a OPEP, em poucos anos, perdeu o seu estatuto de player global. 

As emergentes renováveis, após as intervenções públicas, tornaram-se em grande medida autônomas e com cadeias de produção curtas e, como disse o secretário da Energia americano, “demasiado pequenas para falhar”.

A desglobalização política dera-se com a ascensão eleitoral do iliberalismo e do conservadorismo, à qual se somaram a ascensão social da extrema-direita e da extrema-esquerda. A desglobalização econômica só ocorreu pós-Covid19. A crise gerada pela inflação (e ainda hoje se discute se a sua origem terão sido os preços do petróleo e do gás, a invasão da Ucrânia, os altos salários europeus ou os lucros desses anos) foi tratada como a crise financeira de 2008 ou a crise das dívidas soberanas. Ou seja, a economia global viu a disponibilidade de capital se contrair enquanto o novo investimento se tornava principalmente público e nacional. O Federal Reserve e o Banco Central Europeu decidiram-se repetidamente pelo aumento das taxas de juros, reduzindo o rendimento disponível, a capacidade aquisitiva e de endividamento das economias, das empresas e das famílias, lançando em pouco tempo a economia global em novo crescimento anêmico. A crise inflacionária transformou-se numa crise de dívidas públicas e privadas. 

Sobre esta, como recordou a analista de risco Andrea Lloyd, “as catástrofes climáticas avolumaram-se e o edifício das seguradoras e resseguradoras ruiu – eram gigantes com pés de barro”. A Munich Re e a Swiss Re foram resgatadas e nacionalizadas, e por isso o PIB da Suíça contraiu 3% só nesse ano. A taxa de rejeição de novos seguros chegou aos 53% e fez o mercado de crédito entrar em pânico. Os estados voltaram a ter de emitir mais dívida pública. As agências de rating apelavam à contenção mesmo quando contenção só podia significar mais crise econômica. O conflito entre governos e bancos centrais independentes se agudizou.

Estados e governos deixaram de ouvir as agências de rating e a maior parte das entidades financeiras deixou mesmo de pagar à Standard and Poor, à Fitch e à Moody’s. Mas, liderarando os bancos centrais, ainda estavam as mesmas soluções em vigor desde os anos 70 do século passado. Assim, o apelo à contenção ainda teve efeito suficiente para travar o esboço de recuperação econômica. A resposta foi austeridade.

A extrema-direita europeia estava no momento melhor posicionada para responder à situação e no descontentamento conquistou posições governamentais em diversos países europeus. Enterrou o European Green Deal (um pacote de investimento público que podia  ter amortizado a crise econômica com retorno efetivo) e usou boa parte dos fundos estruturais e do PRR para criar o programa Energia Europeia para os Europeus (EEFE). Levantaram as restrições ao investimento em petróleo e carvão e anunciou-se a construção do novo complexo nuclear europeu, com mais 40 centrais, que estariam prontas décadas mais tarde. Mas não foi possível mobilizar investimento privado, apenas público, para este projeto. Para o eurodeputado italiano Ettore Gatto, “tentaram ressuscitar um morto e a única coisa que conseguiram foi criar mortos-vivos energéticos”.

Do lado migratório, segundo Rudd Eingarten, da ACNUR, o programa político implicou um novo acordo de migrações com a Líbia, com mais de dois milhões de migrantes e refugiados depositados nesse território, o que tornou a Líbia “o maior campo de concentração e de morte da história”, contra um grande empréstimo do Banco Europeu de Investimento para restabelecimento de ligações energéticas. 

As perseguições políticas na Europa tornaram o comércio instável e a violência interrompeu fluxos essenciais a um regresso à normalidade, como pudemos ver pelas cenas de violência nos parlamentos alemão, espanhol ou francês. Nas ondas de calor que se seguiram, 1500 trabalhadores morreram na Sérvia, na Bulgária e na Romênia. E desencadeou-se uma onda de greves gerais para impor os horários de trabalho reduzidos no verão. Mesmo com violenta repressão policial, os sindicatos mostraram uma força que não se via há décadas na Europa e impuseram a sua vontade, derrubando os governos em Belgrado e Sofia e fazendo as economias sangrarem, com menos produtividade e horas de trabalho (redução de 2h30 a 4 horas por dia). 

Quando estas greves chegaram aos trabalhadores da indústria fóssil, que exigiam sistemas próprios de monitorização climática depois dos acidentes mortais no Golfo Pérsico, vários governos adquiriram uma parte importante das estruturas acionistas das empresas fósseis. Esta decisão aumentou salários e criou as novas regras trabalhistas mas, principalmente, conseguiu baixar os preços dos gasolina, do diesel e do gás natural, que na época batiam todos os meses os recordes históricos de preços. 

Nessa altura atingiu-se a marca de 36% de inflação na União Europeia. A banca reduziu ainda mais o acesso a crédito, face ao ressurgimento do Estado e às novas regras laborais. O acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos para acabar com os paraísos fiscais, que também tinha como objetivo aumentar a receita fiscal, acabou por não ser tão eficaz e, bilhões acabaram por fugir.

O golpe definitivo foi mesmo econômico: a contração e mudanças internas da China, como resposta ao protecionismo americano, europeu e japonês. A redução de importações chinesas de energia, a redução de exportações e limitação ao investimento estrangeiro fecharam esse ciclo.

Assim, desmontaram-se algumas das principais ferramentas da globalização: com a intervenção em grande escala dos governos nas políticas industriais – o IRA e o Energize nos Estados Unidos, a EEFE na União Europeia, e as políticas energéticas na China e na Índia –, e a intervenção do Estado nas maiores empresas, o poder dos trabalhadores ressurgiu. Também voltou a violência política da extrema-direita e da extrema-esquerda. E a circulação internacional de capital acabou restrita. 

Preços altos e a dificuldade de acesso a crédito minavam há anos o comércio internacional. Com o declínio do comércio, o sistema mundial de dívida afundou-se em inadimplência. “O comboio da desglobalização demorou anos para arrancar, mas agora a sua inércia tornou-o imparável” concluiu o chanceler Sacksville. Só a injeção de dinheiro barato nas economias teria podido salvar a globalização, mas não foi isso que aconteceu. 

Agora, as pessoas odeiam os ricos porque têm aquilo que elas não têm e roubam os supermercados para distribuir comida. Mas com cada vez menos comércio internacional, isso é o melhor a que podem aspirar. As prateleiras em muitos lugares já estão esvaziando. A globalização está em queda e com ela a capacidade de criação de riqueza e desenvolvimento em escala planetária. 

Temos de pensar a economia de uma forma mais desintegrada, mais primitiva, mais inacessível. Só a inovação poderá nos salvar da recessão permanente. Vamos ter para comer o que produzirmos. Pela primeira vez em 180 anos, não sabemos se poderemos continuar a publicar por muito mais tempo.

'42 ‘42 é uma série de ficção científica escrita por João Camargo, pesquisador de mudanças climáticas e militante do movimento por justiça climática, e ilustrada pelo cartunista, pintor e ilustrador Nuno Saraiva. “’42 começa no fim. O futuro em que se conseguiram travar os piores cenários de mudanças climáticas começa na Lisboa de 2042, uma cidade muito transformada em quase tudo: transportes, energia, alimentação, água, lixo, o Rio Tejo e a comunidade. Em vez do exercício linear da  construção de uma descrição limpa, higiênica, contada apenas pelo lado vencedor e com poucas contradições, desde ‘a’ até ‘b’, em ’42 vamos ter  retratos do que aconteceu em Lisboa e em cidades por todo o mundo, testemunhos, notícias, documentos dos anos loucos em que quase tudo mudou. Guerras, migrações em massa, traições, episódios trágicos e  heróicos, revoluções, transformações, um pouco de tudo aconteceu para chegarmos a 2042 e haver novamente esperança no futuro.”

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