Pesquisar

Estados Unidos realizou quase 400 intervenções militares em todo o mundo

Intervenções foram mais frequentes depois da queda da União Soviética. 1/4 delas tiveram como alvo o Oriente Médio e a África.

Intervenções foram mais frequentes depois da queda da União Soviética. 1/4 delas tiveram como alvo o Oriente Médio e a África. Por Misión Verdad – Tradução de Pedro Marin para a Revista Opera
Soldados do Exército estadunidense torcem durante partida de futebol americano contra Força Aérea do país, na Base Área de Arlington, no Texas. (Foto: U.S. Army / CDT Hannah Lamb)

Um estudo recente revelou que os Estados Unidos lançaram cerca de 400 intervenções militares ao redor do mundo desde sua independência, em 1776, sendo que a metade destas intervenções foram realizadas entre 1950 e 2019, e 25% delas após o fim da Guerra Fria.

O estudo intitulado “Apresentando o projeto  intervenções militares: novos dados sobre as intervenções militares dos EUA, 1776-2019” foi realizado pela pesquisadora Sidita Kushi, do Departamento de Ciências Políticas da Universidade Estadual de Bridgewater, no estado de Massachusetts, e oferece novos dados que ampliam o universo de intervenções estadunidenses, assim como a ampliação da linha do tempo das guerras e suas motivações.

Como a história das guerras é extensa demais para ser revista neste espaço, sistematizamos apenas algumas intervenções da máquina imperial norte-americana:

1775-1776: Canadá e Atlântico
1798-1800: Mar do Caribe e Atlântico
1846-1848: México
1852-1853: Argentina
1856: Nova Granada (roubo do Panamá da Colômbia)
1898-1902: Cuba, Porto Rico e Pacífico
1926: Nicarágua
1954: Guatemala
1961: Cuba
1989: Panamá
1945-1946: China
1959-1975: Guerra do Vietnã
1983: Líbano
1990-1991: Guerra do Golfo
1993-1994: Somália
1995: Bósnia e Herzegovina
1999: Iugoslávia
2001-2021: Afeganistão
2003-2011: Invasão do Iraque
2011: Líbia
2011-2012: Iêmen, Paquistão, Somália
2014-presente: Iraque e Síria

¼ das 400 guerras dos EUA foram no Oriente Médio e na África

A pesquisa também observa que as intervenções militares dos EUA são “cada vez mais” direcionadas ao Oriente Médio e à África, respondendo por mais de um quarto das campanhas do país ao longo de sua história.

 Leia também – Vijay Prashad: Imaginar que o imperialismo não existe é um luxo 

“O impacto cumulativo do que descobrimos em nosso esforço de coleta de dados foi realmente surpreendente”, disse Sidita Kushi, professora assistente da Universidade Estadual de Bridgewater e uma das autoras do estudo, que revela também que a era posterior ao 11 de setembro de 2001 resultou em “níveis de hostilidade mais altos”, com as aventuras militares dos Estados Unidos se tornando comuns.

Paradoxalmente, as intervenções militares dos Estados Unidos depois da desaparição da União Soviética foram mais frequentes, mesmo quando não havia um conflito de interesse com outra potência que ameaçasse sua hegemonia.

Desde o 11 de setembro, com a desculpa da guerra contra o terrorismo, Washington usou sua força militar para “resolver seus problemas”, disse Monica Duffy Toft, professora de política internacional em Massachusetts. Ou seja: que suas intervenções não são mais feitas para resolver “conflitos”, mas abertamente para controlar territórios.

 Leia também – Pivô para a Ásia, condor para a América: as garras ainda afiadas do império [Parte 1] 

Apesar da crise interna, os Estados Unidos continuam investindo bilhões de dólares para alimentar o metabolismo da guerra que o sustentou como império até agora. Atualmente, eles continuam a expandir sua presença militar na África, Ásia e Europa.

Continue lendo

Hugo Chávez durante discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro de 2009. (Foto: Erin Siegal / United Nations)
Ainda cheira a enxofre: 20 anos do discurso de Chávez na ONU
Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, durante visita de Trump à China em maio de 2026. (Foto: Daniel Torok / White House)
Colaboração, não confronto: a visita de Xi Jinping aos Estados Unidos
Como mostra a história, mapas, comércio marítimo e guerra estão intimamente ligados. (Foto: Domínio Público / RawPixel)
A guerra dos mapas chega à ONU

Leia também

Comandantes militares, o ministro da Defesa, José Múcio, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia do Dia do Soldado, no Quartel-general do Exército, em agosto de 2024. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
José Múcio é uma besta e o portão está aberto
Mulheres iranianas durante comemorações do Dia do Basij, em novembro de 2025. (Foto: Khamenei.ir / Wikimedia Commons)
6 livros para entender o Irã
Quando transformamos livros em uma espécie de forragem ou combustível para as máquinas, evaporamos universos inteiros. (Imagem: Estúdio Gauche)
Bibliocídio: como as big techs queimam livros
Membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) – lefebvrianos – durante missa na Igreja de St. Jude, na Filadélfia. (Foto: jcapaldi / Flickr)
O primeiro racha na Igreja sob Leão XIV
Marx abordou o capitalismo do ponto de vista do trabalho assalariado; Weber, do ponto de vista dos proprietários do capital. (Imagem: Estúdio Gauche)
Marx e Weber: ângulos de visão
Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. (Imagem: Adrián Astorgano / El Salto)
Palantir: a empresa mais perigosa do mundo
18.12.2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de apresentação dos oficiais-generais promovidos. Clube do Exército – Sede Lago. Brasília (DF) - Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Defesa nacional: a falsa solução dos gastos militares
Retrato de Muammar Gaddafi pintado em Lyon, na França. (Foto: Thierry Ehrmann / Flickr)
A Líbia pós-Gaddafi, 15 anos depois
São Paulo (SP), 11/09/2024 - 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Anhembi. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Ser pobre e leitor no Brasil: um manual prático para o livro barato