Pesquisar
,

As propostas do ELN sobre o narcotráfico na Colômbia

Para o ELN, um fenômeno econômico, social e cultural só poderá ser superado com iniciativas políticas da mesma natureza.

Para o ELN, um fenômeno econômico, social e cultural só poderá ser superado com iniciativas políticas da mesma natureza. por ALIA2 | CLAE – Tradução de Pedro Marin para a Revista Opera
(Foto: Yovko Lambrev)

O Exército de Libertação Nacional (ELN) da Colômbia afirmou que a política antinarcóticos dos Estados Unidos e do governo colombiano segue fracassando, porque um fenômeno econômico, social e cultural só poderá ser superado com iniciativas políticas da mesma natureza, não com medidas policiais e nenhuma atenção à realidade dos dependentes químicos, dos camponeses e suas comunidades. 

Em uma carta a Ruth Dreifuss, presidente da Comissão Global de Drogas, assinada por Pablo Beltrán e Aureliano Carbonell, membros da Delegação de Diálogos do ELN, é assinalado que quando o governo colombiano e os Estados Unidos acusam o grupo guerrilheiro de ser parte ativa do negócio se está falseando a verdade, mas sobretudo encobrindo os verdadeiros responsáveis e os problemas de fundo, o que indica a falta de vontade destes governos em adotar saídas reais e efetivas para o problema.

Indicam que na Colômbia o narcotráfico financiou os exércitos irregulares do paramilitarismo para levar adiante a guerra anti-subversiva, e que esses grupos se legalizaram em todas as instituições estatais, gerando uma narcorrepública. “O ELN não tem nada que ver com o narcotráfico ou nenhuma fase de sua cadeia: não temos cultivos, laboratórios, cozinhas, pistas, rotas ou meios de exportação de cocaína; e não temos nada a ver com os negócios de precursores químicos”, afirmam.

Beltrán e Carbonell acrescentam que o que faz parte da política do ELN é cobrar um imposto dos compradores, que lucram com o negócio de uma atividade comercial que desenvolvem nos territórios onde seus guerrilheiros exercem o controle territorial. “Também cobramos impostos sobre diferentes atividades econômicas, como os Estados fazem para se financiarem”, acrescentam. As fumigações com glifosato e a erradicação forçada de lavouras para uso ilícito – afirmam na carta – só produzem desastres ambientais e sociais, que já acumulam décadas de fracasso. 

Salientam que o ELN foi claro ao afirmar que só a legalização das substâncias psicoativas porá fim aos lucros extraordinários do narcotráfico e a sua razão de ser; que é necessário um pacto de responsabilidade compartilhada entre os países produtores e consumidores de entorpecentes, e que os dependentes químicos são enfermos que devem ser tratados pelos Estados e não perseguidos​​ como delinquentes.

Acrescentam que os camponeses que trabalham nas lavouras de uso ilícito devem ter planos alternativos de produção de alimentos ou insumos industriais, financiados pelos Estados, para que possam ter sua subsistência sem recorrer a cultivos de uso ilícito.

E que, além de perseguir os cartéis dos países produtores de entorpecentes, devem ser perseguidos os cartéis de distribuição nos países industrializados e consumidores; da mesma forma, os cartéis de precursores químicos e lavadores de dinheiro do narcotráfico no sistema financeiro internacional e nos paraísos fiscais.

O ELN reitera as propostas feitas em 9 de outubro de 2020 na carta aberta ao Departamento de Estado e ao Ministério Público dos Estados Unidos, instando a formação de uma Comissão Internacional para verificar in loco se o ELN possui plantações, laboratórios, infraestrutura ou rotas para o tráfico de drogas, ou se tem negócios com precursores químicos usados ​​na produção de cocaína.

Da mesma forma, propõe que se retomem as propostas já apresentadas para chegar a um Acordo que supere o fenômeno do narcotráfico; que conte com a participação da comunidade internacional, das comunidades das regiões que sofrem com este flagelo e dos diversos setores da sociedade colombiana. “Podem contar com o ELN para desenvolver soluções alternativas que superem a guerra fracassada contra as drogas”, conclui a carta.

Continue lendo

Reportagens recentes dos EUA indicam que o Comando Central foi solicitado a preparar opções para novas operações contra o Irã. (Foto: White House / Flickr)
Trump poderia perder o Congresso e, ainda assim, ampliar a guerra dos EUA contra o Irã
O presidente chinês, Xi Jinping, e a primeira-dama Peng Liyuan. (Foto: APEC 2013 / Flickr)
A IA na China: entre o código aberto e o controle estatal
O presidente da Argentina, Javier Milei, durante discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), nos EUA, em fevereiro de 2025. (Foto: Gage Skidmore / Flickr)
Milei leva a Argentina à beira de uma recessão

Leia também

Comandantes militares, o ministro da Defesa, José Múcio, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia do Dia do Soldado, no Quartel-general do Exército, em agosto de 2024. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
José Múcio é uma besta e o portão está aberto
Mulheres iranianas durante comemorações do Dia do Basij, em novembro de 2025. (Foto: Khamenei.ir / Wikimedia Commons)
6 livros para entender o Irã
Quando transformamos livros em uma espécie de forragem ou combustível para as máquinas, evaporamos universos inteiros. (Imagem: Estúdio Gauche)
Bibliocídio: como as big techs queimam livros
Membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) – lefebvrianos – durante missa na Igreja de St. Jude, na Filadélfia. (Foto: jcapaldi / Flickr)
O primeiro racha na Igreja sob Leão XIV
Marx abordou o capitalismo do ponto de vista do trabalho assalariado; Weber, do ponto de vista dos proprietários do capital. (Imagem: Estúdio Gauche)
Marx e Weber: ângulos de visão
Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. (Imagem: Adrián Astorgano / El Salto)
Palantir: a empresa mais perigosa do mundo
18.12.2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de apresentação dos oficiais-generais promovidos. Clube do Exército – Sede Lago. Brasília (DF) - Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Defesa nacional: a falsa solução dos gastos militares
Retrato de Muammar Gaddafi pintado em Lyon, na França. (Foto: Thierry Ehrmann / Flickr)
A Líbia pós-Gaddafi, 15 anos depois
São Paulo (SP), 11/09/2024 - 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Anhembi. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Ser pobre e leitor no Brasil: um manual prático para o livro barato