Pesquisar

Os nadadores norte-americanos e a mentalidade colonial

Estando na América Latina, pensam que podem tudo, assim como os militares ianques que, de passagem por Havana, urinaram na estátua do herói José Martí.

por Érico Bonfim | Revista Opera – (Foto: Chan-Fan/Wikicommons)
(Foto: Chan-Fan/Wikicommons)

Alguns cidadãos estadunidenses mimetizam o comportamento colonial militar da super-potência. Guardando as devidas proporções, esse é seguramente o caso dos nadadores olímpicos que protagonizaram o recente vexame no Rio de Janeiro. De uma certa forma, representam muito bem os Estados Unidos.

Embriagados, fizeram algazarra num posto de gasolina, gritaram, chutaram a porta e depredaram o banheiro, arrumaram briga com os seguranças e ainda fizeram falsa ocorrência, inventando um assalto a mão armada. Ainda se fizeram de vítimas para sair da saia justa e se eximir da própria responsabilidade.

Está aí uma manifestação muito superficial de um comportamento colonial de dominação. Estando na América Latina, pensam que podem tudo, assim como os militares ianques que, de passagem por Havana, urinaram na estátua do herói nacional José Martí, muito antes da revolução. Naquela época, podiam.

É uma pena o que aconteceu com esses atletas estadunidenses. Bom teria sido se tivessem fraturado nariz, costelas e saíssem do episódio completamente engessados de forma que passassem meses sem entrar numa piscina – não como punição pela algazarra (o que seria uma punição cruel e indevida), mas como simples consequência da briga que eles mesmos arrumaram. Talvez, assim, aprendessem a se comportar na América Latina e a respeitá-la.

Esse tipo de episódio também pode ser bastante didático para que aqueles que se deliciam lambendo as botas de americanos se sintam humilhados ao ver como essas botas pisam na nossa casa.

Continue lendo

O período mais longo dos EUA sem conflito bélico durou apenas cinco anos, entre 1935 e 1940, devido ao isolacionismo a que foi condenada pela Grande Depressão. (Foto: U.S. Army / Ken Scar, 7th Mobile Public Affairs Detachment)
Frei Betto: os EUA e as guerras
Soldados do Exército da República Islâmica do Irã durante desfile em 2019. (Foto: Amir Hossein Nazari / Tasnim)
O Irã tem o direito de se defender
No início da manhã de 25 de fevereiro, uma lancha rápida não identificada entrou em águas cubanas. Quando a Guarda Costeira cubana se aproximou para identificar a embarcação, a tripulação da lancha abriu fogo sem aviso prévio. Os agressores, armados com fuzis de assalto e coquetéis molotov, feriram o comandante da patrulha cubana antes que os guardas revidassem em legítima defesa. (Foto: Pixnio)
Outro ataque terrorista a Cuba: a guerra de 66 anos que Washington se recusa a encerrar

Leia também

São Paulo (SP), 11/09/2024 - 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Anhembi. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Ser pobre e leitor no Brasil: um manual prático para o livro barato
Brasília (DF), 12/02/2025 - O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, durante cerimônia que celebra um ano do programa Nova Indústria Brasil e do lançamento da Missão 6: Tecnologias de Interesse para a Soberania e Defesa Nacionais, no Palácio do Planalto. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O bestiário de José Múcio
O CEO da SpaceX, Elon Musk, durante reunião sobre exploração especial com oficiais da Força Aérea do Canadá, em 2019. (Foto: Defense Visual Information Distribution Service)
Fascista, futurista ou vigarista? As origens de Elon Musk
Três crianças empregadas como coolies em regime de escravidão moderna em Hong Kong, no final dos anos 1880. (Foto: Lai Afong / Wikimedia Commons)
Ratzel e o embrião da geopolítica: a “verdadeira China” e o futuro do mundo
Robert F. Williams recebe uma cópia do Livro Vermelho autografada por Mao Zedong, em 1 de outubro de 1966. (Foto: Meng Zhaorui / People's Literature Publishing House)
Ao centenário de Robert F. Williams, o negro armado
trump
O Brasil no labirinto de Trump
O presidente dos EUA, Donald Trump, com o ex-Conselheiro de Segurança Nacional e Secretário de Estado Henry Kissinger, em maio de 2017. (Foto: White House / Shealah Craighead)
Donald Trump e a inversão da estratégia de Kissinger
pera-5
O fantástico mundo de Jessé Souza: notas sobre uma caricatura do marxismo
Uma mulher rema no lago Erhai, na cidade de Dali, província de Yunnan, China, em novembro de 2004. (Foto: Greg / Flickr)
O lago Erhai: uma história da transformação ecológica da China
palestina_al_aqsa
Guerra e religião: a influência das profecias judaicas e islâmicas no conflito Israel-Palestina