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A guerra silenciosa do Haiti

Haiti vive guerra civil silenciosa: com mais de 1600 pessoas mortas no primeiro trimestre desse ano, país é ignorado na imprensa

Victoria Korn
Um homem tenta apagar incêndio em uma rua de Porto Príncipe, no Haiti, em janeiro de 2010. (Foto: Marco Dormino / UN Photo)
Um homem tenta apagar incêndio em uma rua de Porto Príncipe, no Haiti, em janeiro de 2010. (Foto: Marco Dormino / UN Photo)
A violência no Haiti deixou pelo menos 1.642 mortos e 745 feridos no primeiro trimestre de 2026, devido a ataques de gangues e às operações das forças de segurança, de acordo com um balanço apresentado pelo Escritório Integrado das Nações Unidas para o Haiti (BINUH). As forças de segurança são responsáveis por quase 70% dos crimes, e a polícia está envolvida em mais de 30 execuções, no âmbito do combate às gangues.

O Escritório Integrado das Nações Unidas classificou a situação dos direitos humanos como “extremamente preocupante”. “Apesar dos avanços em matéria de segurança em algumas zonas do centro de Porto Príncipe, a insegurança é diária e insustentável para um grande número de haitianos”, declarou o responsável pelo BINUH, Carlos Ruiz Massieu, uma vez que a violência continua a se espalhar para além da capital, especialmente nos departamentos de Artibonite e Centre.

O relatório indicou que 69% das vítimas morreram em operações das forças de segurança contra as gangues, às quais se atribui 27% das vítimas do trimestre, às vezes com o apoio de uma empresa militar privada que utiliza drones.

Entre os mortos, contam-se pelo menos 69 civis, incluindo cinco crianças. Duas meninas de 7 e 9 anos ficaram gravemente feridas após a queda de um drone no pátio de sua casa em Martissant. O órgão alertou para denúncias persistentes de execuções sumárias nas quais estariam envolvidos agentes da polícia, em incidentes que teriam causado a morte de 33 pessoas.

Mais da metade da população haitiana (5,7 milhões de pessoas) sofre com altos níveis de insegurança alimentar aguda e mais de 6 milhões, incluindo 3,3 milhões de crianças, precisam de assistência humanitária urgente. As Nações Unidas instaram as autoridades haitianas e a comunidade internacional a reforçar a luta contra o tráfico de armas, acelerar as reformas judiciais e garantir que todas as operações de segurança respeitem os direitos humanos.

 Leia também – As Forças Armadas contra o Brasil negro [parte 1] 

As operações das forças de segurança causaram mais de 69% das mortes – com dezenas de civis entre elas, incluindo crianças –, enquanto as forças de autodefesa são responsáveis pelos 4% restantes. Nos territórios que controlam, as gangues cometem graves violações dos direitos humanos: assassinatos seletivos, sequestros, extorsões e destruição de bens.

A BINUH cita em seu relatório o caso de um menino de 13 anos executado em março por ter empinado uma pipa enquanto servia como vigia de uma gangue.

Entre 29 e 31 de março, as gangues lançaram ataques coordenados contra 16 localidades do Baixo Artibonite, dirigidos especialmente contra grupos de autodefesa. Pelo menos 83 pessoas morreram e 38 ficaram feridas; algumas vítimas foram retiradas de suas casas no meio da noite e executadas em frente às suas residências.

Mulheres entre 12 e 17 anos, vítimas de violência sexual

As Nações Unidas apontam especialmente às gangues criminosas como responsáveis por “inúmeros episódios de violência sexual que afetaram mais de 292 vítimas no último trimestre, principalmente mulheres e adolescentes entre 12 e 17 anos”, como parte de uma campanha de terror e controle social. A BINUH destacou que os estupros coletivos e a exploração sexual são utilizados como instrumentos de terror e controle das populações que vivem sob o domínio das gangues.

CLAE O Centro Latinoamericano de Análisis Estratégico é um portal de notícias promovido pela Fundación para Integración Latinoamericana (FILA)

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