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Ex-voluntário brasileiro das forças rebeldes do leste ucraniano é preso em Kiev

Rafael Lusvarghi foi voluntário durante pelo menos dois anos nas forças rebeldes que combatem no leste do país, na região conhecida como Donbass.

por André Ortega | Revista Opera
(Foto: André Ortega / Revista Opera)

O Serviço de Segurança Ucraniano (SBU) divulgou nesta quinta-feira (6) um vídeo que mostra o que seria da prisão de Rafael Lusvarghi, que foi voluntário durante pelo menos dois anos nas forças rebeldes que combatem no leste do país. Neste tempo, Lusvarghi se tornou oficialmente um soldado das duas repúblicas que lutam contra o governo de Kiev – Donetsk e Lugansk – e um cidadão da República Popular de Donetsk.

Amigos e militantes solidários com a causa novorrussa entraram em contato com o ex-correspondente da Opera em primeira mão e com exclusividade. Segundo estes relatos, Lusvarghi estaria se dirigindo para Moscou e teve um pouso surpresa da companhia inglesa de aviação num dos aeroportos de Kiev. Uma interpretação de uma das primeiras notícias faz essa versão parecer provável, mas ainda estamos buscando confirmação e mais informações sobre o destino e o objetivo de Rafael com sua viagem.

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O video do serviço de segurança não exibe o rosto de Rafael, porém mostra documentos das repúblicas do leste, como condecorações e um passaporte da República Popular de Donetsk. Alguns internautas do mundo russo-ucraniano duvidaram do que seria uma “armação”, muitos guiados pelo o que seria uma “diferença física” especialmente na foto do rosto embaçada pelos ucranianos. Nosso ex-correspondente, André Ortega, observa que, no entanto, a diferença se dá principalmente por causa da barba volumosa que pode ser vista nos vídeos recentes que Rafael fez para um canal  na internet. O canal se chamava “Tribo Rosa dos Ventos”, voltado para a temática de aventura e onde Lusvarghi mostraria sua experiências de navegação com um trimarã na costa do Espírito Santo.

Os protocolos de paz de Minsk, que teoricamente estão em fase de implementação, preveem anistia para ex-combatentes. No entanto, em diversas áreas este processo se demonstrou um fracasso, em parte devido sabotagens de radicais nacionalistas ucranianos e a paralisia do governo.

Segundo os serviços ucranianos, o computador pessoal do brasileiro foi apreendido e ele estava em contato com as forças rebeldes. Indicam que já foi iniciado um processo penal segundo a Seção 1 do Artigo 258-3 do código ucraniano, enquadrando Lusvarghi na acusação de “terrorismo”.

Militantes solidários à causa novorrussa temem pela segurança de Rafael. “O que nós tememos é que, considerando experiências passadas de combatentes de Donetsk e Lugansk capturados pela Junta de Kiev, ele seja submetido a torturas e violações de direitos humanos em geral. Para não mencionar possibilidades piores, considerando a colaboração próxima entre grupos paramilitares neonazis e o governo de Poroshenko”, disse o criador da Frente Brasileira de Solidariedade com a Ucrânia, Raphael Machado. O SBU tem um histórico de acusações de tortura e outras violações fora do teatro de guerra, inclusive a suspeita de seus críticos que estaria por trás de uma onda de assassinatos de jornalistas de oposição – no discurso adversário o SBU é sustentáculo de repressão da “Junta fascista de Kiev”.

*Edição: Pedro Marin

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