Pesquisar
,

Base governista obstrui discussão sobre PEC das Diretas na CCJ da Câmara

A reunião foi marcada por discursos críticos e foi encerrada em duas horas em função da divergência entre a base e a oposição sobre o debate do tema.

por Débora Brito – Repórter da Agência Brasil
Brasília – Reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara para analisar a admissibilidade da proposta de emenda à Constituição (PEC) 227/16, a chamada PEC das Diretas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara tentou retomar hoje (13) as discussões em torno da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 227/16, que prevê a convocação de eleições diretas em caso de vacância dos cargos de presidente da República e vice-presidente. A proposta estava fora da pauta desde 24 de maio e só foi reintroduzida depois de acordo firmado entre a presidência da comissão e a oposição.

A reunião de hoje foi convocada exclusivamente para debater a chamada PEC das Diretas. Os deputados da oposição garantiram o quórum mínimo necessário para abertura da reunião, mas a bancada governista cumpriu o que havia prometido e obstruiu a discussão. A reunião foi marcada por discursos críticos e foi encerrada em duas horas em função da divergência entre a base e a oposição sobre o debate do tema.

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) apresentou requerimento para inverter a pauta do dia, a fim de colocar primeiro a leitura da ata e do expediente da comissão e atrasar a discussão do mérito da matéria. “Esse é um assunto sobre o qual nos debruçaremos no momento próprio. O constituinte foi sábio quando decidiu não fazer uma eleição direta na hipótese de impedimento do presidente e seu vice faltando dois anos apenas para o fim do mandato. Nós não temos que tratar sobre questão diretas já. A Constituição num país democrático é um guardião que deve ser usado, e não mudado, nos momentos de crise” argumentou Aleluia.

A oposição concordou em inverter a pauta para garantir o andamento dos trabalhos, mas protestou contra a estratégia da base aliada. “Não achamos normal o governo obstruir o debate sobre diretas e o funcionamento da principal comissão da casa. Nós queremos que o governo tenha o mínimo de coragem de votar contra o projeto, se quiser. Nós queremos enfrentar o tema e não aceitamos que seja o Congresso que eleja o próximo presidente”, disse o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

Ao perceber que o requerimento seria aprovado, os deputados governistas esvaziaram o plenário. A falta do quórum mínimo para concluir a votação do requerimento impediu a continuidade da reunião. Os líderes da oposição aproveitaram ao máximo o tempo final para discursar em favor da análise da proposta e provocar a base aliada dizendo que o governo não quer eleições diretas. Os governistas rebateram dizendo que a mudança na Constituição é “casuísmo” da oposição no momento de crise.

O presidente da comissão, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), disse que convocará nova reunião extraordinária para discutir o assunto na próxima semana. Apesar de Pacheco ter se posicionado de forma contrária à mudança na Constituição, ele defendeu que o governo retire a obstrução e permita o debate.

“Temos que debater essa PEC, seja aprovando ou rejeitando a admissibilidade da proposta. Vamos tentar convencer a base do governo para não obstruir e que possamos debater logo essa pauta. Temos aqui uma série de itens que precisam ser aprovados ou rejeitados. Não pode apenas um item travar toda a pauta da comissão”, afirmou Pacheco após o encerramento da reunião.

Eleições diretas

De acordo com a proposta em discussão na CCJ, de autoria do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ), se os cargos de presidente e vice-presidente da República ficarem vagos, deve ocorrer eleição direta (voto popular) em 90 dias depois de aberta a última vaga. Se a vacância ocorrer nos últimos seis meses do mandato, a PEC estabelece que a eleição será indireta, ou seja, feita pelo Congresso Nacional, em 30 dias.

A PEC recebeu parecer favorável do relator, Esperidião Amin (PP-SC). O relatório ainda precisa ser aprovado pela CCJ antes de ser apreciado pelo plenário da Câmara. Para ser aprovado na comissão, o relatório pela admissibilidade da PEC precisa ter maioria simples dos votos. No plenário, a PEC deve receber apoio de pelo menos 308 deputados, por se tratar de uma mudança constitucional.

Continue lendo

14/05/2026 - Plenário – Sessão Deliberativa Extraordinária no Congresso Nacional. (Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados)
Frei Betto: Congresso Nacional, palco de retrocesso
30.04.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante pronunciamento à nação por ocasião do Dia do Trabalhador, no Palácio da Alvorada. Brasília - DF. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
A publicidade do Governo Lula
18.12.2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de apresentação dos oficiais-generais promovidos. Clube do Exército – Sede Lago. Brasília (DF) - Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Defesa nacional: a falsa solução dos gastos militares

Leia também

Quando transformamos livros em uma espécie de forragem ou combustível para as máquinas, evaporamos universos inteiros. (Imagem: Estúdio Gauche)
Bibliocídio: como as big techs queimam livros
Membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) – lefebvrianos – durante missa na Igreja de St. Jude, na Filadélfia. (Foto: jcapaldi / Flickr)
O primeiro racha na Igreja sob Leão XIV
Marx abordou o capitalismo do ponto de vista do trabalho assalariado; Weber, do ponto de vista dos proprietários do capital. (Imagem: Estúdio Gauche)
Marx e Weber: ângulos de visão
Pouco conhecida em comparação com as principais empresas do Big Tech (Google, Amazon, Meta, Apple), a Palantir Technologies é uma veterana no Vale do Silício. A pedra fundamental da empresa foi lançada pela agência de inteligência americana CIA por meio de seu fundo de investimento In-Q-Tel. (Imagem: Adrián Astorgano / El Salto)
Palantir: a empresa mais perigosa do mundo
18.12.2025 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante cerimônia de apresentação dos oficiais-generais promovidos. Clube do Exército – Sede Lago. Brasília (DF) - Brasil. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Defesa nacional: a falsa solução dos gastos militares
Retrato de Muammar Gaddafi pintado em Lyon, na França. (Foto: Thierry Ehrmann / Flickr)
A Líbia pós-Gaddafi, 15 anos depois
São Paulo (SP), 11/09/2024 - 27ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo no Anhembi. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Ser pobre e leitor no Brasil: um manual prático para o livro barato
Cristãos ortodoxos durante procissão de Domingo de Ramos em Gaza. 13/04/2014. (Foto: Joe Catron / Flickr)
“Morte aos cristãos”: a crescente violência anticristã em Israel