O Hezbollah descobriu um “truque” de baixo custo que tornou obsoleto o moderno equipamento militar de Israel: o drone com visão em primeira pessoa (FPV). Uma arma tão barata e simples que está destruindo centenas de milhões de dólares em tecnologia militar e de vigilância de Israel.
Perplexas, as forças armadas israelenses sofreram cerca de 250 baixas em pouco mais de duas semanas, em grande parte nas mãos de operadores de drones da resistência libanesa. Tendo adotado táticas de guerrilha para enfrentar o exército israelense invasor no sul do Líbano, o Hezbollah está utilizando uma estratégia que nenhum outro ator não estatal conseguiu executar até o momento, mas que pode muito bem estar remodelando a guerra assimétrica como a conhecemos.
O uso de drones FPV, uma estratégia que surgiu da guerra entre a Ucrânia e a Rússia, teve um efeito letal sobre as forças inimigas em avanço e é considerado responsável pela maioria das baixas no campo de batalha no atual grande conflito na Europa Oriental.
Os drones FPV são de dois tipos: um que usa um cabo de fibra óptica e outro que é um Veículo Aéreo Não Tripulado (UAV) controlado por rádio. O drone com cabo de fibra óptica parece ser o preferido do Hezbollah, já que sua vantagem reside na capacidade de tornar inúteis os sistemas de defesa aérea de alta tecnologia de Israel, uma vez que a guerra eletrônica e o bloqueio espectral não funcionam contra ele. Enquanto isso, a versão controlada por rádio tem sido empregada com o objetivo de utilizar cargas explosivas maiores.
Esses pequenos quadricópteros se mostraram tão decisivos na Ucrânia que tanto Kiev quanto Moscou começaram a produzi-los em massa. Os ucranianos chegam a afirmar ter reduzido seus custos de produção em massa para 300 dólares por unidade, tornando-os economicamente viáveis.
Embora o The Guardian tenha alegado que uma fonte afirma que o Hezbollah produz drones FPV em uma faixa de preço semelhante às estimativas ucranianas, duas fontes familiarizadas com o assunto disseram à MintPress News que o custo de fabricação local desses UAVs poderia chegar a apenas 50 dólares para o grupo libanês. Foi ressaltado, no entanto, que o custo depende da versão do drone e que, em casos específicos, pode chegar a 4 mil dólares.
O que diferencia o uso de drones FPV na Ucrânia e seu uso pelo Hezbollah contra Israel é que, embora tenham sido desenvolvidos como uma ferramenta à disposição de dois exércitos modernos, agora eles são usados para travar uma guerra assimétrica. Na guerra da Ucrânia, há linhas de frente claramente definidas, o que significa que aproximar comboios de blindados a menos de 30 quilômetros do inimigo é entrar na zona de perigo.
No sul do Líbano, ou mesmo no norte da Palestina ocupada, não há linhas de frente. Os combatentes do Hezbollah estão espalhados por todo o sul do Líbano, bem entre as posições ocupadas por Israel, tornando impossível saber quando um drone FPV será usado como munição errante contra formações de tropas ou veículos inimigos.
Logisticamente, lidar com tal ameaça tornou-se um pesadelo para as forças armadas israelenses.
De acordo com o think-tank Alma Research and Education Center de Israel, “Se a brecha não for superada rapidamente, centenas de dólares derrotarão milhões de dólares, e o sucesso tático se traduzirá em uma limitação estratégica da liberdade de ação de Israel.”
O Chefe do Estado-Maior do Exército israelense, Eyal Zamir, disse a seus colegas oficiais da defesa para não pouparem despesas na busca por uma solução para a ameaça dos drones FPV. Também tem-se falado na possibilidade do drone de alta tecnologia Viper Interceptor ser empregado como uma solução potencial. No entanto, a tecnologia simplesmente ainda não está disponível, e não há garantia de que essa solução de alto custo funcionaria.
As Forças de Defesa de Israel (IDF), por sua vez, foram até mesmo forçadas a admitir que “não há maneira mágica de deter os drones FPV do Hezbollah”, alegando, em vez disso, que a remoção, por parte dos EUA, das limitações à liberdade de ação de Israel no Líbano “reduzirá a ameaça em 80%” — sem apresentarem nenhuma evidência para sustentar essa porcentagem.
O desafio da nova ameaça dos drones chegou a tal ponto que os israelenses nem mesmo foram capazes de avançar com seus próprios soldados dentro de veículos militares. Em vez disso, os israelenses avançaram para o outro lado do rio Litani, ou pelo menos para a parte mais próxima da fronteira, usando robôs.
Um grande obstáculo que agora se interpõe à tentativa israelense de estabelecer permanentemente uma ocupação do sul do Líbano é o custo exorbitante envolvido em tal ação. Em 7 de maio, um drone FPV do Hezbollah atingiu e destruiu uma bateria do Iron Dome (Domo de Ferro) posicionada no lado israelense da fronteira com o Líbano. Foi a perda de uma bateria de defesa aérea de 100 milhões de dólares, causada por um drone que vale centenas de dólares ou até menos.
O grupo de resistência libanês afirma ter atingido centenas de tanques israelenses e veículos militares de todos os tipos desde o início da guerra. Para referência, o mais recente tanque israelense Merkava MK.4 Barak custa entre 9 a 10 milhões de dólares, enquanto as versões mais baratas do Merkava custam cerca de 3,5 milhões de dólares.
O custo total da rede de defesa aérea em camadas de Israel é estimado em bilhões, mas seu custo real é um segredo de Estado.







































